O líder parlamentar do PSD admitiu, esta segunda-feira, que o ano de 2012 foi o de «maior impacto» nos sacrifícios pedidos aos portugueses, mas disse antever melhorias no índice do risco de pobreza já nos dados de 2013.

«O ano de 2012 foi um ano muito duro para a vida do país. Foi o ano em que implementámos medidas restritivas, que tiveram consequência na atividade económica e do ponto de vista social, houve aumento do número de desempregados, e naturalmente isso fez-se sentir em toda a sociedade e na vida quotidiana de muitos portugueses e muitas famílias», reconheceu Luís Montenegro, que falava aos jornalistas em Viseu, à margem das jornadas parlamentares da bancada social-democrata.

O número de portugueses em risco de pobreza aumentou entre 2011 e 2012, atingindo 18,7% da população, ou seja, quase dois milhões de pessoas, um valor que poderia aumentar para quase 50% se não existissem transferências sociais.

Os dados constam do mais recente Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta segunda-feira e que mostram que em 2012 18,7% da população portuguesa estava em risco de pobreza, mais oito pontos percentuais do que em 2011.

O PSD frisa que, numa «análise mais aprofundada», é assinalada a «proteção de rendimentos mais baixos e das pessoas com maior idade», o que «não é obra do acaso».

Tal resulta, advoga Luís Montenegro, do descongelamento do Governo PSD/CDS-PP do «aumento das pensões mínimas que estavam congeladas desde o governo anterior».

Proteger «rendimentos mais baixos de alguns cortes» orçamentais e de «sacríficos impostos no domínio salarial e das pensões» foi também uma prioridade do Governo, que, diz o líder parlamentar «laranja», sabe que 2012 foi um ano de «grande sofrimento», mas também de «tenacidade» dos portugueses.

«Não devemos ignorar estes dados, devemos compreendê-los. Mas também não nos devemos conformar com eles, devemos cada vez mais lutar para que 2013 tenha um resultado melhor que 2012 e 2014 um resultado melhor que 2013», sublinhou Montenegro.

«Estamos em crer que a recuperação que assistimos a partir do primeiro trimestre de 2013 vai acentuar o que temos dito», disse ainda o líder da bancada social-democrata, acreditando que os dados revelados esta segunda-feira pelo INE serão atenuados já nos números de 2013.

Segundo o INE, a taxa de risco de pobreza corresponde à proporção da população cujo rendimento equivalente se encontra abaixo da linha da pobreza, definida como 60% do rendimento mediano por adulto equivalente, que passou de 416 euros em 2011 para 409 euros em 2012.

No entanto, se fossem tidos em conta apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, a percentagem de portugueses em risco de pobreza passaria dos 18,7% para 46,9%, ou seja, cerca de 4,9 milhões de pessoas.