O líder parlamentar do PSD sustentou esta quinta-feira que o resultado do esboço de Orçamento do Estado para 2016 está a ser colocado em causa de forma generalizada, tanto a nível nacional como internacional, e desafiou o Governo a "corrigir o tiro".

Luís Montenegro falava aos jornalistas, no final da reunião da bancada do PSD, a propósito da notícia da TVI segundo a qual as contas feitas por técnicos da Comissão Europeia apontam para que em 2016 o défice português possa chegar aos 3,4%, em vez dos 2,6% previstos pelo Governo do PS, e o crescimento económico fique em 1,6% e não em 2,1%.

"Nós nem sequer estamos na avaliação ainda em concreto das medidas, estamos apenas na avaliação do resultado a que elas conduzem. E o resultado toda a gente o está a colocar em causa, quer no plano nacional, quer no plano internacional", declarou o líder parlamentar do PSD.


"São sérios avisos que estão lançados ao Governo", considerou.

Segundo Luís Montenegro, neste momento "não há credibilidade, porque as políticas e as decisões que estão subjacentes ao quadro macroeconómico não levam àquele resultado", e impõe-se "que o Governo aproveite a oportunidade para fazer as correções".

Questionado sobre a notícia da TVI sobre uma análise preliminar de Bruxelas ao projeto de Orçamento para 2016, o social-democrata começou por dizer que vem "na esteira daquilo que já foram pronúncias anteriores do Conselho de Finanças Públicas, de várias agências internacionais".

Luís Montenegro apontou-a como "mais uma demonstração" das "incertezas, dúvidas" suscitadas pelo esboço de Orçamento, que "indiciam haver aqui um excesso de otimismo, de irrealismo por parte do Governo que deve ser corrigido".

O Governo do PS deve "aproveitar esta oportunidade com todas estas questões que têm sido suscitadas por várias entidades para corrigir o tiro", defendeu.

Interrogado sobre a possibilidade de o PSD vir a viabilizar a proposta de Orçamento do Estado para 2016, Luís Montenegro não quis fazer qualquer "tipo de especulação" nem "antecipar nenhum comentário", mas atribuiu a responsabilidade aos partidos que suportam o Governo: PS, BE, PCP e "de vez em quando o PAN".

"Nós estamos com muita tranquilidade e muita serenidade, também apreensão, a assistir a este percurso relativamente atribulado de formação e uma proposta orçamental", acrescentou.