O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou esta terça-feira que o voto dos deputados eleitos pela Madeira contra o Orçamento do Estado para 2015 será discutido internamente e que haverá consequências.

O deputado e presidente da bancada ´laranja' referiu aos jornalistas no Parlamento que serão levados a cabo «os procedimentos internos» para «procurar as consequências relativamente a esse comportamento».

Luís Montenegro já tinha afirmado minutos antes, ao abandonar o plenário, não ver «nenhuma explicação para o voto dos deputados Hugo Velosa, Guilherme Silva, Francisco Gomes e Correia de Jesus contra o Orçamento».

«Vamos fazer isso internamente e quando houver alguma nota que tenha de ser dada publicamente eu fá-lo-ei, mas não há nenhuma dúvida de que vai haver consequências, disso não há dúvida», acrescentou.

O Orçamento do Estado para 2015 f oi hoje aprovado em votação final global pela maioria PSD/CDS-PP, com os votos contra de todas as bancadas da oposição e dos quatro deputados do PSD eleitos pela Madeira.

Os deputados do PSD eleitos pela Madeira Hugo Velosa, Guilherme Silva, Francisco Gomes e Correia de Jesus votaram contra a proposta, que mereceu a abstenção do deputado do CDS-PP Rui Barreto.

PS, PCP, BE e PEV votaram igualmente contra o Orçamento do Estado para 2015.

Guilherme Silva diz que houve falha de compromissos

O deputado do PSD e vice-presidente da Assembleia da República Guilherme Silva invocou falhas de compromissos de membros do Governo para ele e três colegas de bancada terem ‘furado’ a disciplina de voto.

«Votámos a favor na generalidade e fizemos uma declaração de voto na qual elencávamos um conjunto de questões das quais dependia o nosso voto na votação final global. As questões que considerávamos mais relevantes e essenciais não foram consideradas e tivemos de fazer um voto contra», explicou o parlamentar social-democrata.

Guilherme Silva adiantou estar «muito preocupado com os eleitores» e «nada preocupado com a visão de outras identidades» (partido e direção parlamentar «laranjas»), pois «o compromisso e mandato é defender» aquela região autónoma.

«Tenho sempre uma posição muito leal e aberta, mas houve compromissos que falharam por parte de algumas pessoas do Governo», revelou, acrescentando tratar-se de uma «situação residual, a nível de secretário de Estado», mas escusando-se a nomear qual o elemento em questão do executivo da maioria PSD/CDS-PP.

Em causa, segundo Guilherme Silva, está o facto de ainda não se ter apurado o PIB (Produto Interno Bruto) regional de 2014 - devido ao novo sistema de contas europeu -, do qual decorrerá a necessidade de alteração das verbas do fundo de coesão (mais de 60 milhões de euros), bem como a redefinição das verbas da Lei de Meios, destinada à recuperação dos danos do temporal de 20 de fevereiro, e que poderia ser aproveitada para outras obras de forma a reforçar a sustentabilidade financeira local.

Foi a primeira vez que um Orçamento do Estado proposto pela atual maioria registou votos contra na bancada do PSD na presente legislatura.