O presidente do PSD e o líder parlamentar social-democrata trocaram presentes e elogios no jantar de terça-feira à noite da bancada do partido, com Montenegro a dizer que Passos "ainda tem muito a dar ao país".

No jantar da bancada do PSD que marcou a despedida de Luís Montenegro como líder parlamentar, por já não se poder recandidatar após seis anos de mandato, Passos Coelho retribuiu os elogios, dizendo que Montenegro "tem um capital de credibilidade imenso, não apenas no PSD, mas fora" do partido.

"Só por modéstia é que diz que ganhou estatuto para ter futuro no PSD, ele tem mais do que futuro no PSD", afirmou Passos.

Já Montenegro não escondeu a emoção quando se referiu a Passos Coelho: "Tenho uma grande admiração por ele, tenho uma grande convicção que ele ainda tem muito a dar a Portugal".

Dizendo que o seu apoio a Passos se deve não apenas a amizade ou lealdade, mas "à convicção profunda", Montenegro sublinhou que o presidente do partido nunca o convidou para o cargo de líder parlamentar, o que foi confirmado em seguida.

"Nunca conheci líderes por empréstimo, os lideres são aqueles que se afirmam como tal", defendeu Passos, acrescentando que, apesar de nunca o ter convidado, Luís Montenegro foi o ‘seu' líder parlamentar.

Na despedida, Montenegro ofereceu a Passos Coelho uma lembrança, igual à que ofereceu a todos os deputados e funcionários do grupo parlamentar: uma serigrafia da Assembleia a República, desenhada por um seu amigo de Espinho.

"Amanhã já podem dizer que não é só o António Costa que tem um amigo Diogo Lacerda, eu também tenho", brincou, provocando risos na sala e em Passos Coelho.

"Mas foste cuidadoso a escolher", respondeu o presidente do partido, que, por sua vez, ofereceu a Montenegro uma fotografia sua a discursar na liderança da bancada.

As eleições para a liderança da bancada do PSD realizam-se esta quarta-feira e vão ter como candidato único Hugo Soares, atual vice-presidente do grupo e ex-líder da JSD.

Num balanço da sessão legislativa, Montenegro agradeceu a combatividade à sua bancada e acusou o Governo de ser "limitado".

"É limitado porque emerge de uma maioria parlamentar que tem propósitos e objetivos diferentes, é limitado porque não tem coragem de empreender reformas estruturais, é limitado porque tem uma liderança frágil, sempre muito interessada em estar na foto dos dias que correm bem."

O ainda líder parlamentar do PSD acusou também a maioria que apoia o Governo - PS, BE, PCP e Verdes - de "bloquearem tudo quanto é o cumprimento da função dos partidos da oposição".

"Só há dois partidos da oposição no parlamento português, todos os outros são partidos da posição e do Governo e nem assim ficam satisfeitos."

Como exemplo, Luís Montenegro apontou o funcionamento da primeira comissão parlamentar de inquérito da Caixa Geral de Depósitos, que a maioria de esquerda encerrou, apesar dos pedidos do PSD para suspender os trabalhos até que chegasse uma decisão definitiva dos tribunais sobre pedidos de informação que consideravam essencial.

"Deus escreve direito por linhas tortas, eles tanto obstaculizaram a possibilidade de descobrimos a verdade, tanto esconderam e branquearam as verdadeiras razões pelas quais a Caixa precisa de dinheiro, que foram incompetentes e displicentes e nem conseguiram aprovar o relatório que apresentaram", congratulou-se.

"Eles branquearam a verdade, não aprovaram o relatório deles, mas não branqueiam a responsabilidade de ter uma postura que é o contrário do que durante anos defenderam", acusou Montenegro.

No jantar, estiveram presentes elementos de anteriores direções de Luís Montenegro, como Miguel Frasquilho ou Pedro Lynce.