O primeiro-ministro, António Costa, disse esta quarta-feira ter esperança que "o PSD vença o rancor e o azedume e consiga chegar ao tempo presente", considerando que o "CDS tem dado um bom exemplo" uma vez que já se renovou.

Depois da votação final global que aprovou o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), António Costa falou aos jornalistas à saída do parlamento e lamentou que "pela primeira vez na história dos debates orçamentais tenha havido um partido", o PSD, que "não só não apresentou nenhuma proposta, como adotou por princípio votar contra tudo o que era proposto, mesmo aquilo com que concordava".

A esperança que eu tenho é que o PSD vença o rancor e o azedume, consiga chegar ao tempo presente, tem muito futuro à sua frente e se liberte desta prisão do passado em que se deixou fechar", disse contrapondo que "o CDS tem dado um bom exemplo".

Na opinião do primeiro-ministro, o partido agora liderado por Assunção Cristas, o CDS-PP, "já se renovou" e "esteve no debate parlamentar", no qual inclusivamente apresentou propostas, ao contrário do PSD.

Costa disse que há hoje no parlamento uma maioria plural "que é aberta à contribuição de todos".

Só não houve propostas apresentadas pelo PSD porque infelizmente o PSD ficou perdido no passado de que não se consegue libertar, entre um rancor e um azedume e tendo renunciado a dar qualquer contributo ao debate parlamentar", lamentou.

Já o líder parlamentar do PS, Carlos César, defendeu que houve um "comportamento diferenciado" entre PSD e CDS-PP na discussão do Orçamento do Estado (OE) para 2016, e os centristas, neste ponto, venceram os sociais-democratas.

Houve um comportamento diferenciado entre CDS e PSD: ambos estavam contra a proposta [de Orçamento] mas o CDS procurou, através de propostas de alteração, não só dar a sua opinião e mostrar algumas duas suas opiniões alternativas, como também tentar melhorar o documento", realçou Carlos César em declarações aos jornalistas no parlamento.

O socialista falava depois de o parlamento ter aprovado na manhã desta quarta-feira o OE para 2016 proposto pelo Governo do PS, com os votos favoráveis do PS, BE, PCP e PEV, a abstenção do PAN e os votos contra do PSD e do CDS-PP.

Nesta discussão orçamental, o CDS ganhou ao PSD", continuou o líder da bancada socialista, que acredita que a posição do CDS nesta discussão resulta da ideia do partido de ser "o primeiro partido à direita e substituir o PSD na liderança do bloco à direita".

Questionado sobre declarações da nova líder do CDS-PP, Assunção Cristas, em torno de uma eventual revisão constitucional que mude, por exemplo, a forma de nomear o governador do Banco de Portugal, Carlos César replicou: "Creio que uma Revisão constitucional não pode ser aberta para um preciosismo dessa natureza. A nossa constituição não é um obstáculo à governação em Portugal, pelo contrário, tem sido muitas vezes um fator de salvaguarda de justiça".

A líder centrista já deu contudo a entender que a nomeação do governador do Banco de Portugal é apenas um de vários aspetos que os centristas gostariam de rever na Constituição.

Esta manhã, no final da votação final global do Orçamento, as bancadas do PS, PCP, BE e PEV aplaudiram de pé a aprovação do documento.

Montenegro diz que crítica de alheamento na discussão é "muito hipócrita"

O líder parlamentar do PSD considerou esta quarta-feira que a crítica de alheamento na discussão do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) é “muito hipócrita” e recusou estar preocupado com a interpretação do eleitorado à falta de apresentação de propostas.

É uma crítica muito hipócrita, porque todos os partidos no parlamento e os portugueses em geral conhecem as propostas do PSD. Conhecem todas as orientações da nossa política económica e financeira”, afirmou Luís Montenegro aos jornalistas depois de aprovado o OE2016.

Referindo-se aos deputados do PS, Bloco de Esquerda (BE), PCP e partido ecologista ‘Os Verdes (PEV), o deputado social-democrata afirmou: “são os mesmos que são responsáveis por não estarmos a executar um orçamento e executar esses princípios, porque fizeram cair o Governo escolhido pelos portugueses nas eleições”.

Nesse sentido, disse o líder parlamentar do PSD, “seria absurdo estar com propostas detalhadas de alteração que seriam inconciliáveis com os princípios que norteiam” o OE2016, aprovado esta quarta-feira com os votos da esquerda parlamentar.

Ainda assim, Luís Montenegro deseja que “o Governo e os partidos que o apoiam agora se dediquem a governar”, salientando que o PSD continua a ter dúvidas sobre a viabilidade do OE2016.

Questionado sobre se o PSD está preocupado com os impactos que a falta de apresentação de propostas de alteração durante o debate na especialidade do OE2016, Luís Montenegro admitiu não estar preocupado com essa questão.

Cabe-nos a cada um de nós assumir as nossas opções com frontalidade. Nós assumimos as nossas, na expectativa de que as pessoas as percebam. E portanto faz parte do nosso trabalho esclarecer as pessoas dos nossos pontos de vista”, disse.

Interrogado sobre como será a postura social-democrata durante o debate do Programa de Estabilidade 2016-2020, que o Governo terá de aprovar na Assembleia da República e apresentar a Bruxelas até ao final do mês de abril, Luís Montenegro disse que o PSD tomará uma decisão depois de conhecer a proposta do executivo.

Antes de mais tem de haver uma proposta do Governo, que a responsabilidade cabe ao Governo. Vamos aguardar e tomaremos uma posição quando houver o texto, agora não vamos inverter as coisas. A responsabilidade não está do lado do PSD, mas de quem governa”, salientou.