O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, rejeitou esta quinta-feira críticas da oposição de que o Governo e a maioria parlamentar tenham uma obsessão com cortes salariais, sublinhando a vontade «firme» de PSD e CDS-PP na recuperação económica do país.

«Ao contrário do que a oposição diz, esta maioria não tem nenhuma obsessão com cortes salariais ou de rendimento dos portugueses. O que esta maioria tem é uma vontade muito firme de continuar o caminho da recuperação financeira do país», declarou Montenegro aos jornalistas.

O líder parlamentar social-democrata falava no parlamento, no final de uma conferência de líderes que se seguiu à aprovação da realização de três plenários extraordinários nos dias 02, 04 e 11 de setembro, com críticas da oposição à «urgência inusitada» e «pressa» de PSD e CDS-PP em aprovarem mais cortes salariais para o setor público.

Montenegro, que falava ladeado pelo deputado Hélder Amaral, do CDS-PP, diz que se «não cumprir as metas» económicas e financeiras «significa mais dificuldade de financiamento do Estado português» e dificultará, por exemplo, a criação de novos postos de trabalho.

Hélder Amaral, por seu turno, lembrou que «a normalidade, a certeza e a confiança são os valores mais importantes na economia», insistindo na necessidade de se resolver em breve a questão dos cortes salariais.

À esquerda, o deputado António Braga (PS) lamenta que o Governo insista numa «política de cortes e retração da economia», com o Bloco de Esquerda (BE) a criticar a «pressa» do executivo nesta matéria, em vez de ter uma «vontade de melhorar a vida das pessoas e condução das contas públicas, da economia».

O PCP, pelo deputado António Filipe, aponta o dedo ao Governo dizendo que está a «subverter todas as regras para que os cortes salariais possam ser aplicados o mais depressa possível».

Na votação do projeto de deliberação apresentado pela maioria na reunião da comissão permanente da Assembleia da República, o PS absteve-se, enquanto o PCP, o BE e o Partido Ecologista «Os Verdes» votaram contra.

A proposta prevê que a 2 de setembro sejam reapreciados os decretos avaliados pelo Tribunal Constitucional - relativos aos cortes salariais e contribuição de sustentabilidade -, a 04 de setembro seja apreciado e votado o orçamento retificativo e a 11 de setembro seja feita uma eventual discussão e votação de normas do retificativo na especialidade e votação final global do documento.

Todos os plenários decorrerão às 15:00.