O PSD vai requerer a audição do presidente demissionário da Caixa Geral de Depósitos e do ministro das Finanças à comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco público, para explicarem a demissão da administração liderada por António Domingues.

Nós vamos aceitar a sugestão do primeiro-ministro e vamos chamar à comissão parlamentar de inquérito sobre a gestão da Caixa Geral de Depósitos o doutor António Domingues e o ministro das Finanças, Mário Centeno, para termos uma explicação cabal da razão que está subjacente a esta demissão e que ficou muito mal explicada e foi mesmo embaraçosa para o próprio primeiro-ministro e ele assumiu-o", anunciou o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Esta tarde, durante o debate quinzenal no parlamento, o primeiro-ministro tinha admitido que a administração da Caixa se demitiu porque entendeu que a lei aprovada pelo parlamento para reforçar a obrigação da entrega das declarações de rendimento lhes diminuía as condições para o exercício de funções.

Registando o "embaraço" e a "estranheza" manifestada pelo primeiro-ministro no debate para as razões que lhe foram apresentadas para a saída da administração do banco público, Luís Montenegro insistiu que está em causa "uma demissão mal explicada".

O primeiro-ministro avançou hoje a única explicação, justificando a sua estranheza e afirmando que a atual administração da Caixa se demitiu porque foi aprovada uma norma em sede orçamental que clarificava a obrigatoriedade da apresentação de declarações de rendimento e património", lembrou Luís Montenegro.

Contudo, acrescentou, "é muito estranho" que, sendo essa a razão, a administração tenha decidido cumprir a norma ainda antes da sua entrada em vigor, a 01 de janeiro de 2017, e tenha entregado junto do Tribunal Constitucional as declarações de rendimento e património.

A intenção do PSD ao chamar António Domingues e Mário Centeno à comissão de inquérito parlamentar à gestão da caixa é ter "uma explicação cabal da razão que está subjacente à demissão que ficou muito mal explicada e foi mesmo embaraçosa para o próprio primeiro-ministro", sustentou.

Haver uma saída que não tem explicação, numa história que soa a ser muito mal contada por aquilo que tem vindo a ser noticiado, é uma obrigação da oposição, dos parlamentares todos, poder ter essa explicação. Há uma comissão parlamentar a funcionar e nós aproveitaremos esse fórum para tentar uma explicação cabal", referiu o líder da bancada do PSD.

Questionado se a audição de António Domingues e Mário Centeno não extravasa o objeto da comissão de inquérito, Luís Montenegro disse que o objeto "integra a avaliação da gestão da Caixa Geral de Depósitos", adiantando que é isso que estará em causa no requerimento dos sociais-democratas.