O líder parlamentar do PSD afirmou esta terça-feira que os sociais-democratas só decidirão o sentido de voto ao Orçamento Retificativo na quarta-feira e sublinhou que a responsabilidade da aprovação das iniciativas do Governo cabe aos partidos que o suportam.

"A responsabilidade da aprovação das iniciativas do Governo cabe aos partidos que suportam o Governo. Creio que está aqui aberta uma boa oportunidade de os partidos que suportam o Governo construírem uma posição política conjunta, que foi aliás aquilo que sustentou o início de funções deste Governo", afirmou à Agência Lusa o presidente do grupo parlamentar do PSD sobre o Orçamento Retificativo necessário pela medida de resolução aplicada ao Banif.


Luís Montenegro referia-se ao BE, PCP e PEV que dão suporte de incidência parlamentar ao Governo do PS liderado por António Costa. O PCP e "Os Verdes" anunciaram que votarão contra o Orçamento Retificativo e o BE impôs como condição para discutir o documento a manutenção do Novo Banco na esfera pública e uma nova lei de resolução bancária.

Luís Montenegro declarou que o PSD só vai decidir o sentido de voto "depois da audição de hoje do ministro das Finanças, e depois do debate na generalidade" que vai ocorrer no parlamento na quarta-feira de manhã.

"Não há nenhuma antecipação do sentido de voto. Está tudo em aberto", afirmou.

O líder parlamentar social-democrata disse que o PSD mantém "total liberdade para apreciar a questão em toda a sua dimensão, face àquilo que é o interesse do país" e a interpretação que faz do "interesse nacional".

De acordo com fontes do grupo parlamentar do CDS, também os centristas só divulgarão o seu sentido de voto na quarta-feira.

O antigo primeiro-ministro e líder do PSD Pedro Passos Coelho admitiu hoje que não teria uma solução muito diferente para o Banif da encontrada pelo atual Governo, mas recusou "acusações de ‘passa culpas'" e garantiu que o PS conhecia o problema do banco.

"Com a experiência que tenho, calculo, até porque sei o que pensa a Direção Geral de Concorrência e sei o que tem sido a abordagem do Banco Central Europeu nestas matérias, admito que não teria uma solução muito diferente desta que foi adotada, na medida em que não foi possível identificar ao longo destes anos um comprador para o Banif", afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à margem do Conselho Nacional da Diáspora, que decorrem em Cascais.

Passos Coelho considerou, contudo, "absurdo" que se diga que o problema não foi resolvido mais cedo porque o anterior Governo queria uma "saída limpa do programa", garantiu que "o problema do Banif era um problema que era conhecido do PS e de toda a sociedade portuguesa", recusando que teria sido necessário um segundo resgate para o Banif ser resolvido.

O Governo e o Banco de Portugal anunciaram no domingo a venda do Banif ao Banco Santander Totta, por um valor de 150 milhões de euros, no âmbito da medida de resolução aplicada ao banco cuja maioria do capital pertencia ao Estado português, de forma a impedir a sua liquidação, numa operação que envolve um apoio público estimado em 2.255 milhões de euros.