O PSD, por Luís Marques Guedes, considerou um “insulto aos portugueses” e uma “manobra de diversão” a intenção do Governo apresentar uma lei que proíba jogos de futebol em dias de eleições. Pedro Passos Coelho também já comentou a ideia, defendendo que proibir jogos de futebol ou outros eventos desportivos ou culturais por causa de um ato eleitoral "é passar um atestado de menoridade às pessoas".

"Acho que não é o caminho, para ser direto. Acho que era bom, e estamos todos de acordo, que não houvesse tanta abstenção nas eleições locais. As pessoas não vão votar porque não querem", afirmou Passos Coelho.

O presidente dos sociais-democratas falava aos jornalistas à chegada a Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, onde foi fazer uma pequena viagem pelo rio Tejo e participou num lanche com os candidatos autárquicos locais do partido.

"Seria bom que conseguíssemos mobilizar essas pessoas. Nós esforçamo-nos para que isso aconteça. Supor que as pessoas não vão votar porque há espetáculos desportivos é realmente, como eu digo, passar um atestado de menoridade às pessoas. Não me parece que seja a abordagem adequada e correta. Não é por essa via que vamos lá", frisou.

Antes, em declarações à agência Lusa, o deputado do PSD e ex-ministro da Presidência Luís Marques Guedes afirmou que a notícia sobre a preparação de alterações ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, de forma a proibir eventos desportivos em dias de eleições, “não passa de uma manobra de diversão e um insulto aos portugueses”.

Achar que os portugueses, ao fim de mais de 40 anos de democracia, não têm a consciência da importância do seu direito de voto e o possam confundir com outro tipo de atividades lúdicas, é tratar os portugueses como se fossem crianças”, disse.

Marques Guedes ironizou sobre “o que virá a seguir” e deixou quatro perguntas: “Vão proibir os cinemas? Os teatros? Vão mandar encerrar os museus? Mandar encerrar as praias ou os centros comerciais?”.

Isto é profundamente ridículo”, sintetizou.

Para o deputado social-democrata, trata-se também de uma “manobra de diversão” da parte do executivo do PS e de “entreter as pessoas, escondendo as falhas do Governo”

Como não conseguem fazê-las, arranjam este tipo de manobras”, afirmou Marques Guedes, acrescentando que esta atitude revela “tiques totalitários”.

“Acha que pode, por diploma e pressão sobre a opinião pública, criar padrões de comportamento”, disse ainda.

Cristas duvida que futebol seja causa da abstenção

Por sua vez, a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, admitiu a existência de legislação que proíba jogos de futebol em dias de eleições, mas duvida que os "elevados níveis de abstenção" do país se prendam com eventos desportivos.

Se o Governo for por diante, não vejo mal nisso, mas também, com franqueza, não acredito que os elevados níveis de abstenção no nosso país tenham a ver com um pontual jogo de futebol".

A líder centrista defendeu que, "idealmente, no dia das eleições", quanto "menos outras atrações, melhor", mas sublinhou que "as urnas estão abertas muitas horas" e "as pessoas que querem votar têm muitas horas para o fazer e podem organizar o seu dia para votar mais cedo e depois verem o seu jogo de futebol".

Quando está sol, diz-se que é por causa do sol, porque as pessoas vão para a praia, quando chove diz-se que é por causa do mau tempo que as pessoas ficam em casa", declarou.

"Com certeza que tudo isso terá alguma interferência, mas aquilo que enquanto política mais me preocupa é saber o que é que nós podemos fazer para que a nossa mensagem seja entendida por parte das pessoas a ponto de sentirem que vale a pena sair de casa e organizar o seu dia de domingo para poder passar pela mesa de voto", sublinhou.

Esta quinta-feira, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto confirmou que o Governo está a preparar alterações ao Regime Jurídico das Federações Desportivas para acabar com eventos desportivos em dia de eleições.