O ministro da Presidência afirmou, esta quinta-feira, que o Governo concorda com o Presidente da República quanto à necessidade de correção de injustiças e trabalha com o objetivo de repor os «níveis de bem-estar» anteriores à «emergência».

Segundo Luís Marques Guedes, o executivo PSD/CDS-PP está empenhado em «retomar uma trajetória de crescimento que permita o reforço da coesão e que permita o regresso, assim que seja possível e que as condições económicas deem essa oportunidade, aos níveis de bem-estar e de conforto que [existiam] antes desta situação de emergência em que o país foi colocado».

Em resposta à comunicação social, na conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes começou por referir que não conhecia na íntegra as declarações proferidas hoje por Aníbal Cavaco Silva em defesa de que «o dividendo orçamental do crescimento económico» seja aproveitado para «a correção das injustiças acumuladas nos últimos anos».

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares acrescentou, contudo, que «é evidente que o Governo não pode estar mais de acordo com o senhor Presidente da República» e «é para isso tem trabalhado nos últimos três anos».

Marques Guedes alegou que o executivo PSD/CDS-PP encontrou o país «numa situação de pré-bancarrota, com um programa fortíssimo de ajustamento, imposto para que o país pudesse ter acesso ao crédito necessário para prover ao funcionamento do Estado e a pagamentos de salários e de pensões» e tem feito tudo «para que essa situação não volte a acontecer».

«Felizmente a situação tem vindo a melhorar. Desde o final do primeiro trimestre do ano passado, começou a dar-se uma inversão desta situação terrível em que o país foi colocado, de emergência, mas o trabalho é para continuar, seguramente», prosseguiu, concluindo que o Governo está empenhado «em retomar uma trajetória de crescimento que permita o reforço da coesão e que permita o regresso, assim que seja possível e que as condições económicas deem essa oportunidade, aos níveis de bem-estar e de conforto que [existiam] antes desta situação de emergência».

O ministro da Presidência considerou que esse é um objetivo partilhado com o Presidente da República e com todas as forças políticas.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, declarou hoje, em Setúbal, que o país está numa fase de «recuperação económica», de «redução do desemprego» e «aumento do clima de confiança» e que esses fatores «são uma janela de esperança para os portugueses mais atingidos».

«O dividendo orçamental do crescimento económico, proporcionado pelos aumentos das receitas dos impostos e pela redução dos subsídios de desemprego, é uma oportunidade que deve ser aproveitada para alcançar uma melhor conciliação entre as regras europeias de disciplina das contas pública e a correção das injustiças acumuladas nos últimos anos. A coesão social e os desafios do futuro assim o impõem», defendeu o chefe de Estado.

Cavaco Silva reforçou esta ideia, afirmando: «É importante que os sinais de esperança que vemos no horizonte se possam concretizar, incluindo na perceção de mais equidade e justiça por parte dos cidadãos, valores essenciais para a preservação da coesão social».