O social-democrata Luís Filipe Menezes desvalorizou esta terça-feira as notícias que o têm envolvido em investigações levadas a cabo pelo Tribunal de Contas (TdC) e pela Polícia Judiciária (PJ) sobre contratos feitos enquanto era presidente da câmara de Gaia.

Em entrevista ao Porto Canal, o antecessor do socialista Eduardo Vítor Rodrigues e ex-candidato à câmara do Porto nas autárquicas de setembro de 2013, começou por usar a expressão «tsunami» para definir os seus últimos meses e a palavra "perseguido" a abordar a sua relação com a imprensa.

Um dos temas que mais tem sido alvo de notícias é, e também de acordo com uma espécie de resumo feito por Menezes ao longo de hora e meia de «Grande Entrevista» naquela estação de televisão regional, a renovação do contrato de limpeza urbana de Gaia com a empresa SUMA do Grupo Mota-Engil.

«Fui presidente de câmara 16 anos. Licenciei milhões de metros quadrados de construção numa terra que era tida como a do caos urbanístico. Não vejo ninguém dizer que há um metro quadrado de construção que foi mal concedido (...).O que eu vejo aí uma salada de massa enrolada. Acho muito estranho e muito absurdo», disse Menezes.

O ex-autarca explicou que a renovação de contrato com a SUMA aconteceu no âmbito da adesão a um pacto europeu de autarcas que se comprometiam a reduzir as emissões de CO2, contando que coube à empresa municipal Águas de Gaia negociar.

Mas Menezes disse ter exigido «pareceres jurídicos sólidos» e «parecer de visto do TdC», entidade que, de acordo com o antigo presidente, que só aprovava «minutas de contratos», pelo que decidiu avançar para uma reunião com o então líder da oposição - ou seja o atual presidente de câmara, Vítor Rodrigues, que era vereador do PS - pois o processo teria repercussões num novo mandato.

«Escreveu-se nos jornais que isto custava mais quatro milhões de euros por ano. Não, isto significa uma poupança de quase dois milhões de euros por ano», garantiu Menezes.

Questionado sobre se a oposição teve acesso a todos os pormenores do contrato, o ex-autarca respondeu peremptoriamente: «absolutamente todos».

«A quem é que levanta dúvidas? A mim não. Ao presidente de câmara não levantará dúvidas. Tenho confiança absoluta nos magistrados portugueses e se alguma vez analisarem esta questão não lhes suscitará dúvidas (...). Porque me fizeram esta perseguição? Não sei», concluiu Menezes.

Quanto à sua ligação à Mota Engil disse que não se sentirá «nada inibido com isso», respondendo à questão sobre se poderá vir a ser convidado para trabalhar nesta empresa, aproveitando mesmo para apontar como exemplo Jorge Coelho que esteve na direção do grupo após ter sido ministro em Governos de António Guterres (PS).

«Contratos vulgares» e com valores «nada extravagantes» foi como resumiu as notícias sobre assessorias jurídicas e de comunicação e quanto ao seu património garantiu que «está legalíssimo», confidenciando que «há 15 anos era muito maior».

«Acha-me disponível para me albergar atrás de qualquer cargo?» questionou, por fim, quando confrontado com o facto de ser atualmente conselheiro de Estado, situação que lhe poderá conferir alguma imunidade em processos jurídicos.

A propósito do seu futuro, Menezes apontou que sobre um possível regresso à política «há quatro meses diria liminarmente não», mas muito devido aos ataques de que diz ter sido alvo «neste momento» não tem «a certeza».