O secretário de Estado da Cooperação português considerou hoje que chegou a altura de a CPLP ouvir os seus povos sobre o que consideram importante para tornar as relações "mais musculadas e robustas" e tomar decisões que beneficiem as populações.

"Há uma grande convivência, uma grande comunidade de povos e uma boa vontade. Mas daí a haver um conjunto de decisões tomadas por quem as pode tomar que sirvam esses povos, não", disse Luís Campos Ferreira em entrevista à agência Lusa em Díli, Timor Leste.
 

"Chegou a altura de ouvir esses povos sobre o que sentem que é importante para que as relações sejam mais musculadas e robustas. Cada país vai ter que fazer esse trabalho de casa o mais rapidamente possível", afirmou.


Luís Campos Ferreira falava depois de participar, em representação de Portugal, na XX reunião do Conselho de Ministros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), encontro em Díli, no qual se deliberou, entre outros aspetos, envolver a sociedade civil com consultas sobre o que deverá ser a "nova visão estratégica" da CPLP.

Caberá a cada Estado recolher contributos das suas sociedades, nas mais diversas áreas, que depois serão incorporados num relatório a analisar na reunião extraordinária do Conselho de Ministros, no primeiro trimestre de 2016 em Lisboa, antes da cimeira de chefes de Estado e de Governo marcada para Brasília.
 

"O sentimento que existe é de que é necessário fazer coisas que tenham impacto na vida dos cidadãos. É uma comunidade de afetos de línguas, mas que deve trazer vantagens para as suas vidas", insistiu.


Durante o encontro de Díli evidenciou-se a defesa, por grande parte das delegações, de tornar a CPLP mais ágil e capaz de responder de forma prática às suas sociedades, com especial enfase para questões económicas.

Campos Ferreira considera compatíveis as duas correntes sobre a direção futura da CPLP: regressar às origens, retomando os objetivos dos fundadores, defendida por países como o Brasil, e adotar uma agenda mais económica, apoiada por países como Timor-Leste e Moçambique, entre outros.
 

"Estamos com 20 anos de CPLP e é necessário repensar e criar novos desígnios. Os pilares sabe-se bem quais são, os afetos, a língua, esses denominadores comuns, de edifícios administrativos e jurídicos muito similares, que criam grandes proximidades, uma grande cooperação entre os povos", afirmou.


"Mas chegou a hora em que é necessário criar novos desígnios. Esses novos desígnios passam por criar futuro. O futuro não é só economia. São as novas tendências nas diversas áreas, nas artes, ciências, investigação, nas academias e na troca de conhecimento", disse.

Segundo explicou, na reunião, os países membros da CPLP estão em "diversos estádios do que é o conhecimento" pelo que a cooperação entre os Estados-membros "deve ser muito virada para o desenvolvimento, para os aproximar mais, para a transferência do conhecimento".

Paralelamente, disse, a comunidade deve trabalhar para "criar uma atmosfera favorável a que haja mais economia" porque "mais economia dá mais amizade e mais amizade mais economia também".
 

Isso, disse, "não diminui em nada aquilo que são as bases hereditárias da CPLP”.


Ao mesmo tempo, considerou, a CPLP quer que o crescente número de países que querem estatuto de observadores tenha um papel cada vez mais relevante na organização e no desenvolvimento da relação multilateral.

Sobre questões mais práticas, como a mobilidade, recordou que os Estados-membros não têm uma participação de exclusividade da CPLP, integrando em paralelo blocos como a União Europeia, no caso de Portugal, o que cria alguns condicionantes.

Questão a que se somam as preocupações com eventuais fluxos migratórios excessivos para determinados países.