O PS vai propor Luís Braga da Cruz para presidente da Assembleia Municipal do Porto na reunião de quarta-feira, a primeira depois das autárquicas que deixaram o independente Rui Moreira sem maioria absoluta naquele órgão, foi divulgado esta terça-feira.

Em declarações à Lusa, o presidente da Federação Distrital do PS/Porto e vereador eleito pelo PS na Câmara do Porto, Manuel Pizarro, explicou que a decisão dos socialistas foi motivada pelo sentido de “responsabilidade”, pois “um cenário de maioria absoluta [de Moreira] na Câmara aumenta a importância de reforçar o papel fiscalizador e moderador da Assembleia Municipal”.

Não se trata de obstaculizar a ação do executivo. Pelo contrário. Trata-se de garantir que essa ação exprime o pluralismo das visões existentes na cidade”, frisou Pizarro, referindo-se à eleição, por votação secreta, do presidente da AM que, após as autárquicas de 01 de outubro, ficou composta por 21 representantes do movimento independente de Rui Moreira e 25 das restantes forças políticas.

Para Manuel Pizarro, o “prestígio” de Braga da Cruz é “garantia de total isenção” no exercício de funções como presidente da AM do Porto, que se reúne pela primeira vez na quarta-feira, pelas 19:30, depois da tomada de posse dos órgãos autárquicos, agendada para as 17:00 no teatro Rivoli.

Tendo em conta uma personalidade com tanto prestígio e com um percurso que assegura total isenção de funções como presidente da Assembleia Municipal, é obrigação” do PS apresentar uma lista para a mesa daquele órgão, encabeçada por Braga da Cruz, acrescentou o presidente da “distrital”.

O independente Luís Braga da Cruz foi ministro da Economia do governo do socialista António Guterres, é professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves.

“Entendemos que se trata de assumir a nossa responsabilidade. Seja qual for o resultado da votação, o PS entende que, desta forma, cumpre com as suas obrigações”, frisou Pizarro.

O movimento independente de Rui Moreira, reeleito para a Câmara do Porto com maioria absoluta (elegeu sete vereadores, contra quatro do PS, um do PSD/PPM e um da CDU), apresentou como candidato à presidência da AM do Porto Miguel Pereira Leite.

Pereira Leite é, atualmente, presidente cessante daquele órgão (exerce o cargo desde janeiro de 2014, depois da renúncia de Daniel Bessa, cabeça de lista dos independentes para a AM nas autárquicas de 2013).

O presidente da concelhia do PSD do Porto, Miguel Seabra, garantiu na segunda-feira à Lusa que “não vai haver nenhum acordo” com o movimento independente de Rui Moreira para a Assembleia Municipal, acrescentando que os eleitos do PSD terão “uma atitude responsável e agirão em conformidade com essa atitude”.

Contabilizando os presidentes das juntas de freguesia (Campanhã manteve-se do PS e Paranhos do PSD), a AM do Porto, cujo presidente é eleito por voto secreto pelos deputados, é composta por 21 representantes do movimento independente de Moreira (16 deputados mais cinco presidentes de junta) e 12 do PS, seis do PSD, três da CDU, três do BE e uma do estreante PAN.

O movimento independente de Rui Moreira apresentou como cabeça de lista à AM Miguel Pereira Leite, presidente cessante daquele órgão, enquanto o PS apresentou Luís Braga da Cruz, o PSD Pedro Duarte, a CDU Rui Sá e o BE João Semedo.