O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, considera que os planos para uma revisão do Espaço Schengen (livre circulação de pessoas na Europa), após os ataques terroristas em Paris na última semana, não vão ser eficazes para resolver os problemas do terrorismo.

No programa «Política Mesmo», da TVI24, Luís Amado diz que a população da Europa vai ter de se habituar a viver com as ameaças terroristas, que não vão desaparecer tão rapidamente como se gostaria.

«Há mais gesticulação política do que propriamente ações concretas que se traduzirão em soluções para os problemas. Mas relativamente ao controle das fronteiras internas não vejo que se possa fazer muita coisa de significativo. (…) Temos que aprender a viver com esta situação, porque ela é inelutável, nós estamos condenados a viver com o terrorismo por um longo período de tempo nas sociedades europeias, não tenho a mínima dúvida», disse Luís Amado.


Já para o advogado e professor universitário, Jaime Nogueira Pinto, mais do que uma revisão do Tratado de Schengen, é preciso primeiro conhecer «o inimigo». Uma falha da sociedade europeia, que se tem limitado a um discurso diferente.

«Não há aqui um esforço de conhecer o inimigo praticamente nenhum. Há uma espécie de histeria de que “eles não valem nada”, que “são uns desgraçados”, que “vamos reeduca-los”, que vamos “explicar-lhes uma espécie de demagogia democrática”, [que] vamos “exterminá-los”. Tudo isto me parecem comportamentos bastante… paranoicos, talvez seja forte, mas [é sem dúvida] uma ritualidade bastante vazia», afirmou Jaime Nogueira Pinto.