O ex-ministro da Defesa Loureiro dos Santos defende que Portugal deve estar preparado para o caso de se verificar a independência de algumas zonas autónomas espanholas ou para uma situação de desagregação da União Europeia. Durante uma conferência sobre o novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional, o general disse esperar que estas «duas linhas de ação estratégica» estejam contempladas numa versão classificada do documento.

«O conceito deve ter partes que não são abertas, porque há muita coisa que não deve ser transparente», afirmou José Loureiro dos Santos, acrescentando que «não se vai dar o ouro ao bandido».

O também ex-chefe do Estado-Maior do Exército sustentou que este plano deve prever qual o posicionamento e as ações de Portugal no caso «de a Catalunha declarar a independência, de a Grécia sair do euro ou nós próprios [Portugal]».

Loureiro dos Santos confessou estar «um bocado cético em relação ao futuro» da zona euro e do próprio projeto europeu: «O futuro do euro não o sabemos, em boa verdade, interessa-me que continue mas não sabemos se a União Europeia vai continuar na mesma situação».

O antigo governante apontou ainda a plataforma continental como um objetivo estratégico do qual Portugal tem de «tomar uma posse efetiva»: «A nossa expansão única é nesta área marítima, espero que não aconteça o que aconteceu quando foi a conferência em Berlim [para definir a ocupação de África, no século XIX] e que se diga que afinal o mar é todo europeu, que o mar não é português, não é francês, é europeu».

A este propósito, José Loureiro dos Santos acrescentou que se «fala na vocação atlântica», mas que Portugal «tem de ser mais concreto». «Temos de ter posse efetiva, explorar, vigiar, controlar a plataforma continental, isso é que pode ser a nossa grande fonte de riqueza, o nosso Brasil pode ser a plataforma continental», reforçou.