O Presidente da República escusou-se esta terça-feira a comentar a sua atuação durante as negociações entre a coligação e o PS no verão de 2013, sublinhando que só irá escrever as suas memórias quando deixar Belém.

“Só escreverei as minhas memórias depois de 09 de março de 2016”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa conversa com os jornalistas em Bergen, na Noruega, país que está a visitar oficialmente até quarta-feira, quando questionado sobre críticas deixadas na biografia autorizada do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que é lançada esta terça-feira, em Lisboa.


No livro, intitulado "Somos o que escolhemos ser", e num capítulo dedicado à crise do verão de 2013 e às negociações promovidas pelo Presidente da República entre PSD, PS e CDS-PP, a autora Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar do PSD, escreve que Cavaco Silva "deixou o Governo em banho-maria durante os vinte dias de estéril negociação com o Partido Socialista, cujo desfecho era, desde o início, absolutamente previsível".

De acordo com uma passagem do livro recuperada pelo "Expresso" e citada pela Lusa, o facto de Cavaco Silva se ter recusado a dar posse ao Governo remodelado após a crise que se seguiu ao pedido de demissão de Paulo Portas, no verão de 2013, é criticado pela biógrafa.

"Três dias depois da colossal crise Pedro Passos Coelho estava em condições de apresentar ao Presidente da República uma solução de estabilidade governativa. Mas, surpreendentemente, Cavaco não ficou convencido. E insistiu numa tentativa de acerto com o PS (...) que causou estranheza", escreve a biógrafa.


Em junho de 2013, o Presidente da República propôs ao PS e aos partidos da coligação que mostrassem “disponibilidade para iniciarem conversações com vista a um compromisso de salvação nacional”, negociações que terminaram sem qualquer acordo.