O cabeça de Lista do partido Livre, Rui Tavares, considerou esta quarta-feira que «não faz qualquer sentido» a participação que a Comissão Nacional de Eleições remeteu para o Ministério Público, uma vez que não se trata de propaganda eleitoral.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) remeteu para o Ministério Público (MP) uma participação contra o Livre, o semanário Expresso e o Partido Europeu dos Verdes por realização de propaganda através de publicidade comercial.

Segundo um ofício da CNE a que a Lusa teve hoje acesso, a deliberação foi tomada na reunião do plenário da comissão de 15 de maio e em causa estava a contracapa da Revista do semanário Expresso que foi para as bancas a 18 de abril.

A contracapa da Revista era totalmente ocupada por um anúncio a um documentário intitulado «Quebrar o feitiço da crise» de Sílvia Pereira, «a partir de uma ideia de Rui Tavares», que é o cabeça de lista do partido Livre às eleições europeias deste domingo. No canto inferior esquerdo do anúncio encontrava-se o símbolo do Partido Europeu dos Verdes.

«Não faz sentido nenhum porque não é encarte de propaganda eleitoral e não tem nenhuma referência ao Livre, nem a nenhum outro partido português e é uma edição apoiada por um grupo parlamentar no Parlamento Europeu, como é prática comum», disse à agência Lusa Rui Tavares.

Ressalvando que fala em nome próprio «porque o Livre nada teve a ver com a decisão» da publicação, Rui Tavares adiantou que quando o anúncio foi publicado ainda não estava a decorrer a campanha e não faz qualquer referência ao Livre, nem foi uma decisão do partido, uma vez que «o conteúdo do documentário foi filmado no ano passado e nem ainda havia Livre».

«É uma decisão autónoma enquanto parlamentar, praticamente todos os deputados europeus portugueses publicaram encartes na imprensa como parte do seu trabalho, só foi publicado tão tarde porque houve problemas técnicos», disse, adiantando que aguarda agora pela decisão.

«É uma das 42 queixas, não é nada que encare com qualquer tipo de preocupação», acrescentou.

Livre foi o partido que debateu a Europa na campanha

Rui Tavares disse esta quarta-feira que foram o único partido que durante a campanha eleitoral teve um discurso europeu e alertou para «os custos de deixar a Europa passar ao lado» das eleições.

«Desde a primeira hora que fizemos sempre debate, campanha e discurso Europeu, sempre alertando para os custos de deixarmos a Europa passar ao lado destas eleições», disse à agência Lusa Rui Tavares, durante uma ação de campanha na estação de Sete Rios, em Lisboa.

O ainda eurodeputado adiantou que «não falar da Europa, nas primeiras eleições, depois de uma crise europeia, equivale a roubar o futuro».

«Ter uma campanha centrada nos casos do dia, virada para os próximos cinco dias e nunca para os próximos cinco anos é uma campanha que espolia os portugueses de tomarem decisões enormes que estão à nossa espera enquanto portuguese e europeus», sublinhou Rui Tavares, que juntamente com outros elementos do partido distribuíram panfletos na estação de Sete Rios.

O antigo eurodeputado eleito pelo BE disse também que o Livre tentou passar «por cima das controversas» que dominaram a campanha e centrou-se em apresentar «não só um plano de saída da crise para a Europa, mas também uma visão da Europa para o seu próprio futuro».

«Não conseguiremos sair da crise se não tivermos uma visão mobilizadora do que Portugal pode ser na Europa e o que é que a Europa pode ser no mundo», afirmou.

Rui Tavares defende uma «democracia europeia», referindo que «quando a União Europeia for uma democracia, Portugal deixará de viver sob a chantagem dos grandes país, dos grandes interesses e da grande burocracia da UE».

O cabeça de lista do Livre às eleições de 25 de maio destacou ainda o programa legislativo do partido com 67 medidas «para mudar mesmo a União Europeia».