O vereador do BE na Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, considerou hoje ter condições para se manter no cargo e defendeu que o pedido de demissão feito pela concelhia do PSD não tem “qualquer base”.

Ricardo Robles, que assumiu os pelouros dos Direitos Sociais e da Educação na sequência de um acordo de governação da cidade firmando com o PS, falava aos jornalistas numa conferência de imprensa na sede do Bloco de Esquerda.

Questionado sobre se teria condições para continuar a integrar o executivo municipal, Robles foi taxativo: “Com certeza que sim”.

Na conferência de imprensa, o vereador deu esclarecimentos sobre uma notícia avançada na edição de hoje do Jornal Económico, que dá conta que em 2014 o autarca adquiriu um prédio em Alfama por 347 mil euros, que foi reabilitado e posto à venda em 2017 avaliado em 5,7 milhões de euros.

Na sequência desta publicação, a concelhia de Lisboa do PSD pediu a demissão do vereador bloquista, acusando-o de "falta de ética, seriedade e credibilidade política".

Em comunicado enviado às redações, o PSD de Lisboa exigiu “a demissão do vereador Ricardo Robles por manifesta falta de ética, de seriedade e de credibilidade política para permanecer no cargo de vereador na cidade de Lisboa”.

Em resposta, Robles afirmou que esta “exigência do PSD não tem qualquer base e apenas contribui para intoxicar a opinião pública”.

“Nada fiz nada de condenável e nada tenho a esconder”, salientou.

Sobre o apoio do partido, o eleito apontou que prestou à Comissão Política “todos os esclarecimentos”.

“Dei conhecimento antecipadamente e, portanto, toda esta informação foi partilhada com a direção do Bloco, com a Comissão Política, e considero que estão esclarecidas todas as questões que foram colocadas”, continuou, adiantando que estas informações foram transmitidas também à restante vereação, na reunião camarária que decorreu esta manhã.

Na conferência de imprensa, o vereador reiterou que a avaliação do prédio “foi feita por uma agência imobiliária, que o teve à venda por seis meses até abril” e que “desde então, o imóvel não está a venda”.

Por isso, sublinhou, “esta compra não foi uma operação especulativa”.

Agora, Ricardo Robles assegura que vai “colocar o imóvel em propriedade horizontal, de forma a poder dividir as frações”.

“Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento. Não comprei este prédio para o vender com mais-valias e, pela minha parte, não o farei”, afirmou.

Aos jornalistas, o bloquista apontou também ser “falso que tenha havido qualquer despejo”.

“Considero que procedi de forma exemplar com todos os arrendatários do imóvel. Nada há de reprovável na minha conduta. Atuei sempre em coerência com aquilo que defendo para a cidade e com a proteção dos seus habitantes”, vincou.

Questionado sobre a existência de um conflito entre o que defendeu na campanha eleitoral e o que tem defendido enquanto vereador – uma vez que se tem mostrado muito crítico da especulação imobiliária e da saída dos moradores da cidade – Ricardo Robles defendeu que “não há nenhuma incoerência”.

“Neste imóvel vivia um casal idoso que disse que queria continuar a viver naquela casa, e estabeleceu comigo um contrato de oito anos, de 170 euros [de renda por mês]. E eu pergunto: quantos contratos como este existirão no centro de Lisboa, no centro histórico. Não há nenhuma incoerência”, acrescentou.

Na sua opinião, o vereador está a “exercer enquanto proprietário” aquilo que defende para a cidade, uma vez que está “a dar o exemplo” pelo “direito à habitação, pelo direito à permanência na cidade”.