O dirigente socialista António Galamba formalizou esta quarta-feira a sua candidatura à liderança da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, apresentando uma moção política contra «lógicas clientelares» e «negociatas» na gestão de bens públicos.

António Galamba, membro do Secretariado Nacional do PS e apoiante de António José Seguro nas primárias, defrontará nas eleições para a FAUL, no início de setembro, o atual líder desta estrutura, Marcos Perestrello, apoiante de António Costa.

No ato de formalização da sua candidatura, ao final da manhã, António Galamba esteve acompanhado pelo seu mandatário, o deputado e dirigente socialista João Soares, e entregou uma moção de orientação política intitulada «A política para as pessoas», a qual contém duras acusações às consequências sociais e económicas resultantes da ação do Governo, mas aponta também várias críticas à forma como a FAUL tem sido dirigida nos últimos anos.

«Não podemos admitir que as estruturas partidárias sejam meros instrumentos de ação política interna, ligadas a lógicas clientelares, com demasiadas zonas nebulosas, em que os interesses pessoais se sobrepõem ao bem comum», refere o documento subscrito pelos apoiantes de António Galamba.

Dentro da linha discursiva da direção nacional dos socialistas, a moção de António Galamba menciona igualmente uma necessidade de separação clara entre a política e negócios.

Os cidadãos, segundo António Galamba, «exigem que quem os representa, aos mais diversos níveis, esteja livre de interesses, de promiscuidades e de lógicas clientelares». «Não toleram processos de decisão e decisões que não sejam transparentes. Não admitem acordos políticos em que os interesses das populações não sejam evidentes. Não aceitam negociatas e especulações em torno da utilização dos solos e da gestão do dinheiro dos seus impostos», vinca a moção deste membro da direção nacional do PS.

O ex-governador civil de Lisboa e ex-deputado socialista contrapõe depois que o quadro de ação da FAUL requer «ética, rigor, transparência e sentido de missão».

«É urgente que a FAUL normalize o seu funcionamento, a sua relação com os militantes e com as estruturas. Um funcionamento sustentado num quadro de regras claras, transparentes e escrutináveis aplicáveis a todos; em que a FAUL não viva acima das suas disponibilidades financeiras e intervenha sempre como entidade moderadora que respeita a vontade dos militantes e das estruturas», salienta António Galamba.

Galamba refere a seguir que a sua candidatura «nasceu da vontade livre e responsável de militantes inconformados com a realidade».

«Não é uma candidatura de "notáveis". É uma candidatura de "notáveis militantes" descontentes com a gestão da FAUL e determinados em mudarem o estado das coisas. Esta não é uma candidatura por "procuração". É uma candidatura livre, apresentada com o processo eleitoral aberto, no tempo certo e tendo por referência o trabalho concreto realizado em benefício dos cidadãos da Área Urbana de Lisboa e do PS», acrescenta.