O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou esta quinta-feira que a situação humanitária na Síria é insustentável e apelou para que os líderes europeus sejam mais solidários, enquanto pediu aos jovens sírios que "nunca desesperem".

"Esta crise humanitária alcançou uma situação insustentável. Tenho pedido a todos os líderes mundiais que nos dêem forte apoio e compromisso político", disse o responsável da Organização das Nações Unidas (ONU), durante um encontro, em Lisboa, com cerca de 70 estudantes sírios que estão a estudar em Portugal.

"Toda a comunidade internacional deve dar-vos apoio. É uma questão de solidariedade, de compaixão, de liderança global. Tenho pedido a todos os líderes europeus: por favor mostrem a vossa compaixão, a vossa solidariedade. Não é uma crise de números, é uma crise de solidariedade", defendeu.

Ban Ki-moon afirmou que há 16 milhões de refugiados e migrantes, em todo o mundo, o "maior número" desde a Segunda Guerra Mundial, e 4,5 milhões são sírios.

"Vivemos numa situação muito difícil. A crise na Síria é a mais séria a que temos de responder, o mais depressa possível", sustentou, afirmando que a educação, salvar vidas e dar resposta às necessidades básicas diárias das pessoas são prioridades máximas.

Ban Ki-moon deixou uma mensagem de esperança: "Se nos unirmos, se nos mostrarmos solidários, penso que podemos resolver isto".

Dirigindo-se aos jovens sírios, o secretário-geral da ONU recordou que, quando tinha seis anos, também viveu uma situação de guerra - que viria a dividir a Coreia em dois países. Na altura, as Nações Unidas proporcionaram "muito apoio".

"Eu ainda tenho essa memória e digo: nunca desesperem. Eu estou aqui, tal como as Nações Unidas estiveram comigo. As Nações Unidas também estarão sempre convosco para ajudar", garantiu.

Durante o encontro, Ban Ki-moon ouviu relatos de jovens sírios sobre as suas experiências e aspirações.

Em comum, os jovens transmitiram o desejo de regressar à Síria e encontrar paz, estabilidade, liberdade e democracia, mas também exprimiram o sonho de que mais crianças e jovens possam ter a possibilidade de prosseguir os estudos.

"O nosso sonho é tão simples. Ter um país onde possamos viver livremente e possamos escolher o que queremos, uma democracia. Não queremos um país onde vivemos com medo, todos os dias, de morrer por bombardeamentos, nas escolas ou hospitais, onde é suposto sermos tratados", disse uma jovem.

Outro rapaz confessou ter saudades da família e dos amigos que deixou na Síria e também daqueles que morreram por causa do conflito. Mas, acrescentou: "Não tenho saudades de ser reprimido, preso ou que a minha liberdade me seja retirada".

Vários colocaram a tónica na importância de as mulheres voltarem a ter maior participação na sociedade e acesso à educação.

"Se educar um homem, educa-se uma pessoa. Mas se educar uma mulher, educa-se uma nação", destacou outro jovem.

A Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, uma iniciativa lançada pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio, já atribuiu bolsas a 150 estudantes sírios, que estão espalhados por dez países, a maioria está em Portugal.

Ban Ki-moon realiza uma visita de dois dias a Portugal, a convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com quem se encontra na sexta-feira.