O ministro da Administração Interna e o presidente da Câmara de Lisboa asseguraram esta quarta-feira que mantêm o mesmo objectivo de reforçar a segurança na capital, desmentindo divergências entre ambos.

«Independentemente de termos cargos diferentes e interesses que nem sempre coincidem em absoluto, temos um interesse essencial comum que é a segurança de Lisboa e dos lisboetas», afirmou aos jornalistas o ministro Rui Pereira, no final de um almoço com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa.

O ministro sublinhou também que não fez as «pazes» com António Costa, uma vez que «não» estavam «zangados».

«Tenho uma relação de estima e de amizade com António Costa que sei que é retribuída», adiantou o responsável pelo Ministério da Administração Interna (MAI).

Idêntica posição foi expressa pelo presidente da Câmara de Lisboa, que disse que, apesar de cada um desempenhar funções diferentes, as relações entre ambos estão «acima de qualquer divergência».

Nos últimos dias, António Costa, ex-ministro da Administração Interna, tem-se multiplicado em intervenções públicas, contestando a estratégia do MAI de gestão de esquadras em Lisboa e a «falta de visão» relativamente à segurança na capital.

Rui Pereira afirmou que o Governo Civil de Lisboa tem trabalhado com a CML para celebrar «num futuro próximo» um Contrato Local de Segurança, tendo em conta que o interesse do MAI é reforçar o dispositivo e o policiamento na capital, tal como o da autarquia.

António Costa sublinhou que «está tudo bem encaminhado» e que em breve vai realizar-se uma reunião entre a autarquia, a governadora civil de Lisboa e o director nacional da PSP, na qual se vai abordar a estratégia global do ministério relativamente à segurança na cidade.

O autarca acrescentou que foi «aberta uma linha de diálogo» entre a Câmara, o secretário de Estado da Protecção Civil e o director nacional da PSP sobre o policiamento do trânsito.

As críticas de António Costa

O encerramento da esquadra do Rego, a falta de efectivos na Alta de Lisboa e a desocupação de espaços cedidos à PSP têm estado na origem de críticas da Câmara à «falta de estratégia» da Administração Interna.

Nas últimas semanas, o presidente da autarquia e ex-ministro daquela pasta governamental, António Costa (PS), admitiu que as recentes experiências de relacionamento com o Estado para a instalação de esquadras na capital têm sido «muito más», num historial de «incumprimento» por parte do Governo, e prometeu defender os interesses dos munícipes «incomode a quem incomodar».

Depois do fecho das esquadras da Avenida João Crisóstomo, em Agosto de 2008, na sequência de uma acção de despejo, e do Bairro de Santos (Rego), a 04 de Fevereiro, devido à degradação do edifício, todo o executivo lisboeta aprovou há um mês uma moção, apresentada por António Costa, que condenava os encerramentos e exigia do Ministério da Administração Interna esclarecimentos sobre a estratégia de gestão daquele tipo de equipamentos e sobre o policiamento de proximidade.

No documento, António Costa questionava a situação de dois espaços cedidos pelo município à PSP e nunca ocupados ¿ o Palácio da Folgosa, na Rua da Palma, destinado à instalação da primeira divisão e de uma esquadra, e um terreno municipal em Marvila, disponibilizado para o Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS) como compensação pela saída das instalações do Chiado.

Entre as críticas do antigo ministro, já transmitidas ao Governo Civil de Lisboa, está ainda o incumprimento da resolução de Conselho de Ministros, de 2007, que transfere para as Polícias Municipais de Lisboa e Porto competências de fiscalização de trânsito.

Defendendo que «o que contribui mais para a insegurança é a falta de planeamento da segurança», o presidente da Câmara de Lisboa manifestou, nas últimas semanas, «preocupação pela indefinição da estratégia» quanto ao dispositivo policial, em particular em relação ao policiamento de proximidade.