O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, admitiu nesta terça-feira que, se o município ficar a gerir a Carris e o Metropolitano, o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) poderá financiar aquela rede de transportes públicos.

«Não acho mal que um dos destinos da receita municipal do IMI seja financiar as redes de transportes públicos, porque o IMI deve financiar o conjunto de redes e serviços públicos que valorizam a cidade e a propriedade na cidade», disse.

«Na própria forma do cálculo do IMI para efeitos de valorização é a maior ou menor proximidade à rede de transportes públicos» que faz a diferença, explicou António Costa, frisando não ter «medo de papões sobre aumentos de impostos».

O autarca falava na quarta e última sessão do ciclo de debates temáticos sobre os transportes públicos, promovida pela Assembleia Municipal de Lisboa, em resposta a uma questão colocada pela deputada do PSD Margarida Saavedra.

Este é um cenário que o presidente quer evitar, porque «não é sádico nem masoquista», preferindo captar receitas através do estacionamento na via pública e na publicidade.

Para António Costa, o «mundo ideal seria aquele em que as empresas conseguissem encontrar equilíbrio orçamental e que não necessitassem de orçamento acrescido».

O autarca afirmou ainda que as conversações que mantém com o Governo passam pela concessão da Carris «e, se necessário, do Metro».

Este processo «só faz sentido» se existir colaboração com os municípios da Área Metropolitana de Lisboa servidos também por aquelas empresas, adiantou.

«As pessoas que trabalham e vivem [na cidade] precisam com urgência de um serviço público de qualidade», concluiu.

Também presente no debate, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, assinalou a Câmara de Lisboa como um «candidato muito particular e muito diferenciado, porque tem a particularidade de interferir no próprio território».

«Não é um ator comparável com os todos os outros privados», acrescentou.

Afirmando que «não há qualquer secretismo na negociação entre o governo e o município de Lisboa», o governante frisou que «numa base comparativa, a proposta da câmara tem de ser mais vantajosa comparada com o privado».

Sérgio Monteiro sublinhou que o Governo optou pela concessão das empresas de transporte porque era uma «questão de sobrevivência que estava em causa».

«Se não tivéssemos feito o que fizemos elas teriam desaparecido», concluiu.