O Bloco de Esquerda considera que o despedimento de 16 trabalhadores da Linha de Saúde 24 que deram «a cara» na luta pelos seus direitos é um «regresso ao passado».

«Estes trabalhadores da Saúde 24 estão a fazer das lutas mais duras. Trabalhadores sem nenhum vínculo, sem qualquer proteção a recibo verde, juntaram-se e pararam a Saúde 24 no Porto e em Lisboa pelos seus direitos», começou por dizer a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, num jantar, na Marinha Grande.

Na iniciativa, no âmbito das comemorações do 80.º aniversário da Revolta de 18 de Janeiro de 1934, continuou: «Soubemos que hoje 16 desses trabalhadores foram despedidos, entre eles todos aqueles que deram a cara, que deram o rosto por esta luta».

«Isto é regressar ao passado - que os trabalhadores não tenham nenhum direito e quando dão a cara pela decência, pela dignidade, pela defesa da sua profissão, possam ser despedidos de um dia para o outro, como fez a empresa que gere a Saúde 24», afirmou a dirigente do Bloco, sustentando: «Este é o país que Pedro Passos Coelho que nos quer apresentar, o regresso ao passado».

Lembrando a luta do operariado há 80 anos, Catarina Martins salientou que, «mesmo quando é tão duro o retrocesso», o BE está presente para continuar a luta, «sem nunca desistir, as vezes que forem precisas».

No jantar, no qual discursaram ainda os dirigentes do Bloco António Chora, Fernando Rosas e Cristiana Sousa, Catarina Martins repetiu críticas ao programa de privatizações do Governo, salientando que se não se tivesse vendido REN, EDP, ANA e CTT, estas teriam dado «435 milhões de euros de dividendos só em 2014».

«É o assalto ao país», acusou, referindo que «a festa é de tal modo que não só entregam estes dividendos, como venderam as empresas a preço de saldo». A responsável apontou o caso dos CTT, em que «passados 30 dias» da venda os bancos dizem que valem 30% mais.

Para Catarina Martins, há uma «promiscuidade» entre o Governo e os interesses económicos.

Ainda sobre os CTT, a responsável referiu-se de novo à Goldman Sachs, a maior acionista privada da empresa, que contratou o ex-ministro social-democrata José Luís Arnaut, presente «em todas as privatizações».

«Nesta promiscuidade vergonhosa entre o nosso Governo e os interesses financeiros, há uma coisa que sabemos é que se o preço da troika e dos mercados é o esmagamento de quem vive do seu trabalho, o troco são as nomeações», disse Catarina Martins.