Já sabia que estava a ponderar, agora já diz que está a pôr as mãos na massa. Santana Lopes escreveu um artigo de opinião a dar conta que está a preparar um programa para se candidatar à liderança do PSD, ao mesmo tempo que faz várias críticas às "lapas" social-democratas - como lhes chama - que se "agarram" só quando lhes interessa.

Com o título "Acrescentar Valor", o artigo do atual provedor da Santa Casa da Misericórdia e antigo primeiro-ministro vem publicado na edição desta sexta-feira do Correio da Manhã

Nesta fase, os programas são muito importantes, por mim, é disso que estou a cuidar estes dias. Sou mais de ação, sou mais de agir e, desculpem a presunção, mas nas três casas que dirigi com algum tempo até hoje, têm querido que eu regresse ou que eu continue: falo da Figueira, de Lisboa e da Santa Casa"

A sua reflexão escrita fica marcada pela forma como se dirige a certas pessoas dentro do seu próprio partido. Não as nomeou, mas chamou-as de "lapas", repetindo o termo por seis vezes ao londo do texto.

As bases sociais-democratas são tão bem intencionadas que muitas vezes nem se dão conta das jogadas que, em seu nome e com o seu voto, são feitas para as lapas se segurarem. Os partidos não se constroem com lapas e o PSD tem um número considerável dessa espécie. As lapas agarram-se quando lhes interessa e onde julgam que se podem segurar".

Poderão estas palavras serem interpretadas como uma indireta às distritais e as concelhias do partido, base de apoio de Rui Rio. "As lapas estão ou vão quando lhes convém".

Depois de elogiar o "trabalho digno de muito reconhecimento" de Passos Coelho - que decidiu não se recandidatar à liderança na sequência do mau resultado nas autárquicas - Santana defende que o partido tem de escolher alguém que seja capaz de fazer frente a Antonio Costa, "um adversário muito poderoso de quem neste momento se diz com condições de conseguir uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas". "O PPD/PSD não nasceu para ser segundo de ninguém".

Deixa até já um cheirinho das suas prioridades programáticas: Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social, terceiro setor, sistema fiscal, investigação científica, mar, descentralização e coesão territorial

Porém, Santana, como em outras ocasiões, não diz taxativamente que está na corrida à liderança. E, como em outros momentos do passado, poderá fazer crer que sim, que avança, e depois decidir não o fazer.

Até agora, ainda não existe nenhuma candidatura formalizada, mas o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto Rui Rio vem manifestando a intenção de avançar, o que deverá concretizar-se na próxima semana.

O eurodeputado Paulo Rangel é o outro nome mais apontado para disputar a liderança do PSD. O ex-líder parlamentar Luís Montenegro também era, mas ontem anunciou que está fora da corrida.