O antigo líder parlamentar do CDS-PP António Lobo Xavier declarou, esta quarta-feira, apoio a Assunção Cristas, num texto em que argumenta que apesar dos poucos anos que leva de partido, "a antiguidade não é sempre um bom critério".

"Bem sei que está no partido somente há alguns anos. O tempo já nos ensinou, porém, que a antiguidade não é sempre um bom critério. A vida política é mesmo assim: quantos militantes históricos do partido não se encontram hoje em outras paragens ideológicas e partidárias? E que teria sido a história mais recente do CDS, se, em nome da sua fresca filiação, tivéssemos impedido a eleição de Paulo Portas?", sustentou.


Num texto no jornal centrista Folha CDS, Lobo Xavier defendeu que "os tempos que se adivinham pedem muito mais do que uma liderança com legitimidade histórica", considerando que são precisas determinação, convicções, causas, equilíbrio, criatividade, imaginação e inteligência.

"A Assunção já provou que traz consigo uma boa dose de tudo isto, assim a saibamos acompanhar. Eu já estou decidido", afirmou.

Lobo Xavier sublinha que "não deixa de ser sintomática" a "reação comedida" dos adversários: "Dela não podem dizer que é radical, aparelhista, insensível ou fútil. Para o que estamos habituados na história do CDS, há que reconhecer que se trata de um excelente começo".

Para Lobo Xavier, "Assunção Cristas faz parte daquele grupo de jovens políticos com grande talento e potencial que o CDS conseguiu atrair para a vida política ativa", considerando-a mesmo "como mãe realizada e feliz, como profissional brilhante e de sucesso, como ministra com obra respeitada" o "melhor símbolo dessa renovação de quadros que Paulo Portas foi pacientemente operando".

O antigo líder parlamentar centrista abre o texto com uma consideração muito elogiosa para Paulo Portas: "Pela primeira vez na sua história, o CDS vai perder um presidente indubitavelmente querido pelos seus militantes e simpatizantes, que não sentiu qualquer desencanto pela vida partidária nem tão-pouco é responsável por qualquer desaire eleitoral".

Lobo Xavier explica também a não recandidatura de Paulo Portas à liderança com elogios.

Referindo-se ao "choque político" que representou a formação do Governo PS apoiado pela maioria de esquerda no parlamento, o advogado defendeu que Paulo Portas "percebeu rapidamente que esta legislatura de desfecho imprevisível, que se anuncia politicamente complexa para a direita, precisa de um Partido renovado e revigorado" e "ele próprio quis dar um sinal pessoal e forte".

"Podemos lembrar-lhe, claro, que começar de novo é uma técnica que já mostrou dominar com mestria. Mas Paulo Portas leva anos suficientes de liderança bem sucedida do CDS para que lhe devamos reconhecer uma sensibilidade especial para os tempos políticos. Ele espera seguramente carinho do Partido, mas não espera lamúrias nem deseja que se instale um sentimento de orfandade", escreveu.

O 26º Congresso do CDS-PP, que é eletivo da liderança, realiza-se a 12 e 13 de março em Gondomar. Além de Assunção Cristas a tendência Direita Social anunciou a intenção de apresentar um candidato à liderança.

Paulo Portas tornou-se líder do CDS em 1998, no Congresso de Braga, e apenas esteve afastado da direção dos centristas por dois anos, durante a presidência de José Ribeiro e Castro (2005-2007).