O cabeça de lista do PCTP/MRPP às eleições para o Parlamento Europeu, Leopoldo Mesquita, afirmou esta segunda-feira em Setúbal que a «saída de Portugal do euro é a única maneira de resolver o problema da dívida».

«Com a saída do euro, estancávamos a dívida, reduzíamos as importações e o país começava a produzir mais, porque produzia mais barato», disse Leopoldo Mesquita durante uma ação de campanha na lota e na avenida Luísa Todi, em Setúbal.

«Todos nos dizem que a saída do euro seria uma catástrofe para o país, mas depois não têm argumentos para sustentar esta posição [contra um novo escudo]», acrescentou.

Leopoldo Mesquita falava à agência Lusa depois de conversar com pescadores na lota de Setúbal e com algumas pessoas que circulavam na baixa da cidade, de quem ouviu muitos protestos contra a redução de salários e pensões de reforma.

«Já levei quatro cortes na reforma. Eles [o Governo] não dão nada a ninguém. Deviam ir buscar o dinheiro aos grandes e não aos pobres», disse José Lopes Estrela, um setubalense descontente com toda a classe política portuguesa e que prometeu não votar nas eleições europeias do próximo dia 25 de maio.

«Temos de sair do euro. O euro só aumenta a nossa dívida», retorquiu Leopoldo Mesquita, repetindo até à exaustão a mensagem de que o euro é a fonte de muitos problemas da sociedade portuguesa.

Confrontado com eventuais consequências negativas de uma saída do euro, que poderia provocar um aumento significativo da dívida portuguesa, Leopoldo Mesquita argumentou que o país teria de avaliar bem a parte da dívida que deveria pagar.

«Ainda há dias soubemos que a CP mandou abater mais de duas dezenas de máquinas que tinham sido recuperadas e que estavam em perfeitas condições e que, ao mesmo tempo, alguém comprou outras 25 máquinas novas, penso que à Siemens. Este negócio, de 105 milhões de euros, deve ter sido bom para alguém, mas não para o povo português. E quem beneficiou é que devia pagar essa dívida», defendeu.

«E como este há muitos outros negócios com hospitais, com autoestradas, em que os beneficiários são empresas privadas. E essas empresas é que deviam pagar a dívida», acrescentou o candidato do PCPT/MRPP.

Depois das ações de campanha em Almada e Setúbal, Leopoldo Mesquita tem agendada para hoje à tarde uma reunião com o conselho de administração do Porto de Sines, para conhecer melhor os projetos em curso naquela infraestrutura portuária, mas também para defender a necessidade de uma linha de alta velocidade através de Vilar Formoso.

«A linha de Badajoz/Madrid só interessa aos espanhóis. Nós temos é de defender uma ligação através de Vilar Formoso, por onde passam os emigrantes portugueses, porque é essa a melhor ligação para os interesses portugueses», disse.