O PCTP/MRPP defendeu hoje a eleição de um ou mais dos seus representantes para o Parlamento Europeu a fim de esmagar a coligação de «traição nacional» e Portugal sair do euro, repondo-se o escudo.

«A meta é eleger um ou mais deputados, mas é difícil de atingir. Não seria tão difícil de obter se pudéssemos expor as nossas ideias e propostas em igualdade com as outras candidaturas, mas a comunicação social opta por não mostrar», afirmou o cabeça de lista do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP), Leopoldo Mesquita.

Questionado sobre a atual proliferação de forças políticas à esquerda face à coligação governamental, o militante do PCTP/MRPP sublinhou a importância de haver um «programa comum que sustente a unidade» e não tanto «o formalismo de uma coligação».

«A situação de destruição do país como nação soberana e independente e dos direitos do povo português exige a unidade de todas as forças democráticas e patrióticas. O fator importante é que haja um acordo sobre o programa, cujo ponto central deve ser a saída do euro e reposição do novo escudo», afirmou, acrescentando que «não se pode estar à espera de condições para esse objetivo», como defende, por exemplo, o Partido Comunista Português.

O candidato a deputado europeu explicou os moldes do eventual abandono por Portugal da moeda única europeia, além do «repúdio da dívida pública».

«A nacionalização da banca e o controlo estrito dos movimentos de capitais permitirão instituir e colocar rapidamente em circulação o novo escudo, ao qual deverão imediatamente ser convertidos os direitos monetários, os créditos, os débitos e os preços em euros», perspetivou.

Leopoldo Mesquita defendeu que «o novo escudo deverá ter valor cambial igual ao do euro - cada novo escudo valerá um euro, representando um valor cerca de 200 vezes superior ao do antigo escudo», algo que se repercutiria nos «bens, salários, pensões depósitos bancários ou dívidas privadas».

«É preciso estarmos preparados para uma relativa perda do poder de compra na sequência da desvalorização inicial do novo escudo, que derivará do encarecimento dos bens que seja necessário importar, mas essa quebra (no máximo 15%) será sempre muitíssimo menor do que aquela que ocorreu nos últimos três anos (na ordem dos 30%)», alertou, adiantando também a ideia de instituir um «salário mínimo europeu».

O cabeça de lista do PCTP/MRPP considerou que Portugal está «transformado numa colónia do novo imperialismo alemão e a democracia substituída por uma nova forma de fascismo comandada pelo capital financeiro e que tem em Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva os seus representantes e agentes».

«O povo português deve impor uma derrota esmagadora à coligação PSD/CDS, recusando sempre e também o voto na candidatura do PS, que não representa qualquer espécie de alternativa», disse, sublinhando o objetivo de «derrubar o Governo de traição nacional PSD/CDS e substituí-lo por um novo, democrático e patriótico».

Leopoldo Mesquita defendeu a perspetiva «internacionalista» quando inquirido sobre um cenário hipotético de inversão dos protagonistas, no qual a atual crise económico-financeira e de acumulação de dívidas dos países periféricos estivesse a ser vivida por nações como a Alemanha e os responsáveis germânicos afirmassem, como o PCTP/MRPP, «não pagamos».

«Defendemos o internacionalismo e não o isolacionismo. Desejaríamos que os trabalhadores e povos desses países, principalmente a Alemanha, que beneficia à custa de Portugal também se solidarizassem com os portugueses contra essa forma de exploração, de opressão e todas as formas de dominação de tipo imperialista e capitalista sobre os povos e trabalhadores», atestou.

O PCTP/MRPP desejou «esmagar nas urnas os inimigos do povo e seus lacaios», referindo-se aos líderes do executivo, Passos Coelho e Paulo Portas, e ao Presidente da República.