Leonor Beleza afirmou este sábado que a realização de um "almoço de amizade" com Aníbal Cavaco Silva no mesmo dia de uma homenagem a Mário Soares e ao I Governo Constitucional "é apenas uma coincidência".

Em declarações aos jornalistas, à margem desse almoço, realizado num hotel de Lisboa, a presidente da Fundação Champalimaud referiu que integrou um dos governos de Mário Soares - o do Bloco Central, como secretária de Estado da Segurança Social, entre 1983 e 1985 - e disse que tem "a maior das considerações" pelo fundador do PS e antigo Presidente da República.

"Mas, de facto, houve uma coincidência de datas pura e simplesmente", reiterou Leonor Beleza, uma das organizadoras deste almoço com Cavaco Silva, que juntou cerca de 80 pessoas.

 

Sobre a escolha da data, justificou: "Em princípio estava fora das datas em que acontecem muitas coisas na nossa vida política e era uma data no mês em que ele faz anos".

Questionada se Cavaco Silva merece uma homenagem do país, a antiga ministra da Saúde respondeu: "Há de haver. Hoje é este almoço de amigos, mas certamente que isso há de acontecer".

Segundo Leonor Beleza, esta iniciativa "surgiu na altura em que estava a terminar o mandato presidencial do professor Cavaco Silva", que deixou as funções de Presidente da República a 9 de março.

"Vários amigos dele, entre os quais me incluo, pensámos que gostaríamos de ter uma ocasião, agora já distendida, com pessoas que trabalharam com ele nas mais variadas circunstâncias da longa vida política e não só, do meio académico, do Banco de Portugal, de outros sítios por onde ele passou, para conversar com ele e para fazer um almoço de amizade", disse.

Durante este almoço, Leonor Beleza fez um discurso de elogio a Cavaco Silva, descrevendo-o como um líder visionário e reformista que nunca dependeu da política, e voltou a defender que o ex-Presidente da República merece uma homenagem.

"Portugal é hoje muito, nas coisas de que nos orgulhamos, o resultado de iniciativas e projetos seus, dos governos que concebeu e que chefiou. Este não é ainda o momento e muito menos a ocasião do balanço da extraordinária passagem pela vida política nem das responsabilidades políticas que exerceu. Nem é ainda o momento da homenagem nesse plano que lhe havemos de fazer", declarou.

A antiga dirigente do PSD considerou que todos os presentes certamente desejam "que essa ocasião venha a surgir".

Leonor Beleza apontou ainda Cavaco Silva como o mais destacado vencedor da democracia: "Vimo-lo ganhar muitas vezes, mais vezes e por mais tempo do que quem quer que seja".

No final da sua intervenção, a social-democrata considerou "admirável a tranquilidade pessoal e o entusiamo" com que Cavaco Silva "vive esta transição", após dez anos em Belém.

O ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou que saiu "de consciência bem tranquila" de Belém e referiu que muita coisa não se sabe sobre a forma como exerceu funções, mas não quis agora "fazer revelações".  

O que disse Cavaco: "Muita coisa não se sabe" sobre o exercício em Belém

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apareceu nesta iniciativa durante cerca de quinze minutos, mas não almoçou.

O antigo Presidente da República António Ramalho Eanes e a sua mulher, Manuela Eanes, estiveram presentes neste almoço, assim como Luís Marques Mendes, Alexandre Relvas, Fernando Ulrich, Abdul Vakil, Carlos Moedas, David Justino, Nunes Liberato e Luís Marques Guedes, entre outros.