O PSD questionou esta quinta-feira os deputados do BE e do PCP que “vão juntar-se ao PS para roubar os trabalhadores”, se “vão ficar fiéis” aos eleitores ou “se vão saltar esse muro”, mostrando-se preocupado com os “desentendimentos das esquerdas”.

O deputado do PSD Leitão Amaro falava na sua intervenção inicial no plenário da Assembleia da República, que está a discutir vários projetos de lei apresentados pelo PS, incluindo o que reduz para metade a sobretaxa de IRS e reverte os cortes salariais ao longo de 2016, de forma progressiva em cada trimestre.

Leitão Amaro dirigiu-se aos deputados do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português e deixou uma série de perguntas: “E o vosso discurso? E o vosso programa eleitoral? Como é que estão ao lado das propostas do PS? Ou não vão apoiar essas propostas? Preocupa-me começarmos com um desentendimento entre estas esquerdas”.

Para o deputado social-democrata, “se [as bancadas do BE e do PCP] aprovarem as propostas do PS, vão estar a aprovar também austeridade”, porque mantêm a sobretaxa ainda que a metade do valor e mantêm os cortes salariais, embora revertidos gradualmente.

“É difícil, é doloroso, mas como é que fica o vosso discurso de que ‘quem mexe em salários e pensões está a roubar os trabalhadores e os pensionistas’? Mudou? Vão juntar-se ao PS para roubar os trabalhadores?”, lançou ainda Leitão Amaro.

“Vão ficar fiéis aos vossos compromissos ou à vossa história? Vão ficar fiéis aos vossos eleitores, aos 18% de eleitores que em vós votaram? Ou vão saltar esse muro para se aliarem ao PS?”, questionou o deputado do PSD.


Na resposta, a deputada do BE Joana Mortágua disse que o compromisso do Bloco é “ser fiel” aos seus compromissos, recordando as negociações tidas com o PS que alteraram as propostas dos socialistas, reporta a Lusa.

“E aqui estão elas. É por isso que damos hoje a cara pelo nosso compromisso, que é o de devolver por inteiro o salário dos funcionários públicos em 2016, por uma questão de justiça e de respeito pela Constituição”, afirmou.

Também a deputada bloquista Mariana Mortágua disse que “sempre que os planos da direita foram estragados, o país ficou melhor, o país cresceu e as contas públicas melhoraram”, acrescentando que, “se este ano a meta do défice não for cumprida é porque a direita não percebeu que a austeridade estraga”.

Quanto às acusações de falta de entendimento entre os partidos da esquerda, Mariana Mortágua reiterou que o BE “dá a cara por um objetivo cumprido”, sublinhando que “os salários serão repostos em 2016 como o Tribunal Constitucional determinou”.

Relativamente à sobretaxa em sede de IRS, que, de acordo com a proposta do PS, será reduzida em metade em 2016, para os 1,75%, a deputada do BE disse que “o fim da sobretaxa foi matéria de diálogo entre o PS e o BE”, tendo o Bloco defendido “a cessação imediata e integral” da sobretaxa. Mas “houve uma divergência e é por isso que esta matéria não consta do acordo” assinado entre os dois partidos, afirmou.