A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, anunciou esta sexta-feira que a primeira iniciativa parlamentar na próxima legislatura será rasgar "a indecorosa lei do aborto aprovada à pressa pela direita", que tem uma "visão pequenina e serôdia das mulheres".

Catarina Martins discursava num jantar-comício da pré-campanha, que decorreu esta sexta-feira na Cantina Velha da Cidade Universitária de Lisboa, apelando ao voto no Bloco de Esquerda (BE) daqueles que, há quatro anos, ao sentir a pressão para a mudança, perceberam "bem como o seu voto útil foi um voto traído".

"Pela nossa parte o compromisso é claro: fazer a lei do aborto respeitar o sentido do referendo, rasgando a indecorosa lei aprovada à pressa pela direita. [Esta] será a primeira iniciativa do próximo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda", anunciou a porta-voz bloquista, acusando PSD e CDS-PP de terem uma "visão antiga e serôdia do papel das mulheres".


Perante uma sala esgotada, a líder do BE deixou um pedido: "alguém avise a direita que já não estamos em 1940 ou 1950. Eu sei que quem muda a lei do aborto no último dia do parlamento em sinal contrário ao que acontece em toda a Europa tem uma visão pequenina e serôdia das mulheres e dos seus direitos".

Afirmando que a "alternativa contra a resignação passa por restruturar a dívida pública", Catarina Martins considerou que "voto útil é no BE, "o voto do compromisso para a alternativa" que "não cede e não desiste".

"Quem há quatro anos, farto de um Governo do PS que tinha prometido criar tantos milhares de empregos e só trouxe mais desemprego, foi votar na direita e sentiu a pressão do voto útil para a mudança percebeu bem como o seu voto útil foi um voto traído porque não teve mudança, teve mais empobrecimento", apelou.


Catarina Martins foi perentória ao afirmar que o BE está "contra o aventureirismo de quem quer destruir a Segurança Social em Portugal" e dirigiu-se diretamente ao PS, que "não quer conversar sobre com quem lhe recorda que defende menos 1660 milhões de euros nas pensões ao longo dos próximos quatro anos".

"O compromisso do BE é claro. Defender os interesses dos trabalhadores, garantir que há futuro para o país, para quem cá vive, para cá quem quer viver", disse aos socialistas.


Mas a cabeça de lista do partido pelo Porto não esqueceu Passos Coelho e os discursos em pré-campanha, falando de "velhas ou recicladas" mentiras do primeiro-ministro, e deixando um aviso à navegação: "Já conhecemos o truque das eleições de 2011 e todos sabemos o que é que acontece mal a campanha acaba. Só se deixa enganar quem quer".

O líder da bancada parlamentar, Pedro Filipe Soares, criticou o facto de parecer que "só há dois candidatos de primeira e tudo o resto é paisagem", considerando que "nesta tentativa de transformar a política num jogo de futebol" quem tem perdido é a democracia.

Para o número dois pela lista de Lisboa, "os empatas" Pedro Passos Coelho e António Costa "estão empatados" mas Portugal não está condenado "a ficar com estes empatas", considerando que "o verdadeiro pântano é aquele que o BE sempre acusou, o pântano do centrão".

O primeiro a discursar no comício foi Jorge Falcato, candidato por Lisboa, que sendo portador de deficiência e estando numa cadeira de rodas, defendeu que "a deficiência é uma questão de direitos humanos e os direitos humanos não são regalias. Não se cortam nem se discutem, cumprem-se".