Os candidatos pelo círculo da Emigração na Europa do PS declararam esta terça-feira, numa carta aberta, que a forma como os emigrantes lesados pelo BES estão a ser tratados pelo Governo é um exemplo da falta de consideração disseminada na sociedade portuguesa.

“A forma sobranceira como os emigrantes lesados pelo colapso do Banco Espírito Santo (BES) estão a ser tratados pelo Governo, Banco de Portugal e Novo Banco é apenas mais um exemplo de uma falta de consideração disseminada na nossa sociedade”, referiram os candidatos do Partido Socialista na carta.


O documento foi assinado pelos candidatos pelo círculo da Emigração na Europa, às legislativas de 04 de outubro, Paulo Pisco (que tenta a reeleição), Luísa Semedo, Carlos Pereira e Ana Maria Pica.

“Há muitos milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo, que contribuem de uma maneira considerável e diversa para a promoção do nosso país”, refere a carta aberta dos candidatos socialistas.


O documento indica que foi apenas com a democracia que “se passou a considerar de maneira diferente” aqueles que tiveram de emigrar devido às dificuldades económicas em Portugal, “tal como voltou agora a acontecer nestes anos de crise, muito pelo impulso do atual Governo, que nem sequer se coibiu de mandar os portugueses emigrar”.

“É preciso dar o salto qualitativo neste relacionamento, quebrar barreiras e preconceitos e fazer um corte com as práticas do passado. É isso que anima os candidatos do PS pelo círculo eleitoral da Europa e é esta a luta em defesa dos portugueses residentes no estrangeiro que queremos fazer e que já fizemos, cada um a seu modo”, sublinham no documento.

Para os candidatos, o mandato do atual Governo tem sido “um desastre” para o país e para as comunidades portuguesas, “como se vê pelo aumento da pobreza, da precariedade e da supressão de direitos”.

A carta referiu que durante o atual Governo houve um “brutal” aumento na emigração e “perto de meio milhão de portugueses, entre permanentes e temporários, tiveram de sair do país à procura de melhor sorte e das oportunidades que lhes eram negadas”.

O documentou indicou que houve também um “retrocesso brutal” no Ensino do Português no Estrangeiro (EPE), a redução no número de funcionários consulares e um “perigoso avanço da privatização do atendimento consular, cortes inadmissíveis nos apoios sociais, entre outras coisas”.

“O Governo pouco mais fez que promover iniciativas avulsas, sem qualquer sentido estratégico”, referiram ainda os deputados.

“Em termos de substância, o Governo revelou não ter uma estratégia para as comunidades, nem tão pouco a consideração e o respeito que elas merecem”, avaliaram os candidatos.

O documento ainda referiu as dificuldades dos reformados emigrantes gozarem as suas reformas (obtidas no estrangeiro) em Portugal e as ações “de fachada” do Governo em relação aos programas de incentivo ao retorno ou ao investimento no país dos empresários emigrados.

“Temos um candidato a primeiro-ministro, António Costa, que compreende bem as comunidades e quer estabelecer uma nova relação com elas, valorizando-as, reconhecendo o seu valor e envolvendo-as efetivamente nos destinos de Portugal”, sublinhou a carta.

De acordo com o documento “o programa eleitoral do PS é aberto, generoso e inovador. Valoriza enormemente a língua portuguesa, a dimensão social, a cultura e o regresso daqueles que um dia tiveram de emigrar, entre outros domínios”.