Depois das declarações da noitepediu "credibilidade" ao primeiro-ministro

Durante uma ação de campanha da coligação PSD/CDS-PP, em Bragança, Passos Coelho citou a declaração que o vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis fez sobre o impacto da capitalização do Novo Banco nas contas de 2014:

"Trata-se de uma questão meramente contabilística e não afeta o trajeto de Portugal na correção do défice excessivo nem exige medidas compensatórias".

"está de acordo com o que estava previsto no Programa de Estabilidade"

"Portanto, nós estamos a cumprir as nossas metas, e iremos, até ao final deste ano, atingir um défice inferior a 3%".

Segundo Pedro Passos Coelho, os dados da execução orçamental que vão ser divulgados na sexta-feira apontam para que os objetivos traçados pelo Governo PSD/CDS-PP "estejam bem encaminhados".

Já António Costa retirou uns minutos da visita da manhã à porta fechada  para falar aos microfones e voltar a atacar Passos Coelho pela reação de ontem aos números do défice. António Costa pediu "credibilidade" e "decoro" ao primeiro-ministro. 

À saída de uma fábrica de conservas, em Mira, Costa demorou a reagir aos jornalistas concretamente sobre o comunicado da Comissão Europeia, que fala apenas num "impacto pontual".

"Mais do que dos números, o mais importante, insisto, do que a consequência financeira é a questão da credibilidade e do relacionamento do primeiro-ministro com os portugueses"

O comunicado da Comissão Europeia  afasta a necessidade de novas medidas de austeridade, mas para António Costa "só demonstra que há muita coisa que o governo tem de explicar". E uma delas é precisamente essa:

"Primeiro, se tem ou não tem consequências na necessidade de aplicação de medidas extraordinárias; segundo:vamos ou não vamos ter consequências relativamente também ao défice de 2015? Tem ou não consequências relativamente à trajetória da dívida?"

Em reação à afirmação do secretário-geral do PS de que os resultados do Governo são "uma fraude", o presidente do PSD sugeriu que António Costa está desesperado: "Não é por as notícias não estarem a correr de feição e aparentemente os resultados não estarem a ser aqueles que talvez o PS esperava que devemos perder a compostura e a serenidade para analisar os dados".

Passos Coelho acusou o secretário-geral do PS de querer "induzir o país em erro" com "a ideia de que as coisas estão a ir mal no país", e declarou que "há limites" para a desinformação, "mesmo em campanha eleitoral".

Ainda sobre o Novo Banco, referiu que "nenhum partido, e muito menos o PS, criticou" a solução que foi adotada de "resolução do Banco Espírito Santo (BES)" e que desconhece que os socialistas tenham apresentado alguma "solução alternativa".

Sobre os empréstimos feitos pelo Estado português à banca, disse que "estão a render juros muito elevados, não são juros normais de mercado, ao contrário daquilo que se está a tentar dizer", pelo que "não é dinheiro que esteja a ser perdido".

Em relação ao cumprimento da meta de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) fixada para o défice deste ano, manifestou-se confiante na execução orçamental do segundo semestre, e sustentou que o Governo PSD/CDS-PP vai fazer história: "Há muitas coisas que Portugal nunca conseguiu - não é nos últimos anos, é nas últimas dezenas de anos - e que nós vamos conseguir".

Por outro lado, salientou que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), "a economia portuguesa, afinal, cresceu mais 0,1% no primeiro trimestre e outro tanto no segundo trimestre deste ano" do que tinha sido inicialmente reportado, e "o rácio da dívida portuguesa está a descer e até ao final do ano ficará situado em cerca de 125% do PIB, quando era em 2014 130,2%".

Passos Coelho concluiu que isso "pode parecer muito incómodo para o PS, que anda a contar uma história que não existe e quer induzir as pessoas em erro", mas "as coisas são o que são" e "não vale a pena tentar virá-las do avesso".