O cabeça de lista por Lisboa do Livre/Tempo de Avançar considerou esta segunda-feira que a continuação das políticas da direita aproximará a saúde pública de “um ponto crítico” a partir do qual não será possível recuperar a sua qualidade.

“Durante o mandato deste Governo, as políticas de austeridade serviram para segmentar muito os serviços públicos, que começaram a dar respostas muito desconformes e descontínuas e, portanto, a fazer com que algumas camadas da população se dirigissem para os serviços privados”, afirmou Rui Tavares à agência Lusa, no final de uma visita ao centro de saúde de Mangualde.


Rui Tavares lamentou que muitas vezes isso aconteça “com o apoio do próprio Estado, como na ligação da ADSE à saúde privada”.

“À medida que o serviço público não dá tanta resposta, há um benefício indireto ao sistema privado”, acrescentou.


Na sua opinião, há “uma espécie de reciclagem de desresponsabilizações”, em que “o Estado se desresponsabiliza, há mais gente que vai para o privado”, mas este, “nas coisas mais complicadas e menos lucrativas, não se mete e reenvia para o público”.

Esta é uma das grandes preocupações do Livre/Tempo de Avançar, que quer “defender o modelo de Estado social que durante 40 anos os portugueses foram preservando”.

“Distinguimo-nos dentro da esquerda portuguesa como alguém que quer fazer a mudança agora. Não está à espera que o sistema colapse, que a Europa mude de ideias, não está à espera da revolução de consciências”, frisou.


O cabeça de lista por Lisboa do Livre/Tempo de Avançar disse que, se há razão que justifica a existência desta candidatura, “é que há muitos milhares de cidadãos preocupados em todo o país que sentem que este ponto de não retorno está muito próximo e que mais um mandato da direita, mais um mandato da austeridade em Portugal ou mesmo um governo de bloco central amalgamando o centrão, seria fatal para o Estado social”.

Acompanhado de Ana Drago e dos candidatos pelo círculo de Viseu, Rui Tavares visitou o centro de saúde de Mangualde, onde foi informado da falta de médicos, de enfermeiros e de assistentes técnicos.

O Livre/Tempo de Avançar quer implementar uma “saúde transversal a todas as políticas”, com apoio à saúde na comunidade e aos cuidados primários “para que as urgências não estejam tão saturadas” e eliminar “as taxas moderadoras que têm criado muitos problemas de acesso à saúde em certas camadas da população”, entre outras medidas.