O Livre/Tempo de avançar fechou hoje o seu programa para as legislativas de outubro, e em comício que decorreu em Lisboa mostrou esperança no fim do "sectarismo" na esquerda e na construção de um governo de esquerda.

"Deixar para trás tradição de sectarismo" na esquerda portuguesa é uma das missões do partido, afiançou Rui Tavares, cabeça de lista por Lisboa, no comício que se seguiu à II Convenção Cidadã do movimento.

Posteriormente, o candidato elogiou gente "boa e com muita qualidade" da esquerda, lembrando os debates televisivos tidos recentemente com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho ou o vice-primeiro-ministro Paulo Portas.

"Gostei de ver António Costa, gostei de ver Catarina Martins e gostarei de ver Jerónimo de Sousa. E confesso-vos que estou em pulgas para ver Heloísa Apolónia debater contra Paulo Portas", sublinhou.


E disse ainda: "Nós viemos para acrescentar qualidade à qualidade".

Também Ana Drago, candidata número dois por Lisboa, e Ricardo Sá Fernandes, que encabeça e lista no Porto, mostraram esperança num futuro governo de esquerda.

"Haverá uma maioria de esquerda na AR. Só haveria um governo de direita se alguém à esquerda desse uma ajudinha", disse Ana Drago, antiga dirigente do Bloco de Esquerda, que acrescentou ter "esperança" que PS, PCP e BE "compreendam a urgência do tempo" e "estejam à altura das expectativas das pessoas de esquerda" de Portugal.

A candidata falou ainda da problemática em torno da Segurança Social e dirigiu-se a Passos Coelho e Paulo Portas: ""Não se atrevam a tocar nas contribuições dos trabalhadores para uma sociedade justa e solidária. Somos uma sociedade solidária, nunca nos esquecemos disso. Não nos metem medo".

Já Ricardo Sá Fernandes apontou o "combate à cultura de favorecimento, tráfico de influências e corrupção" como decisivo para a candidatura cidadã.

"Queremos uma cultura de transparência, de mérito", ressalvou, antes de elencar uma série de nomes - maioritariamente de PSD e PS - ligados à esfera autárquica que no passado ou atualmente foram alvo de investigações por alegado mau uso da causa pública.

E dirigiu-se também ao PS que, reconhece, "tem património em comum" com o Livre mas "andou com os outros nesta promiscuidade".

"Queremos estar com eles [PS] numa solução de governo", prosseguiu Ricardo Sá Fernandes, mas "com um Mesquita Machado qualquer" o Livre/Tempo de avançar não se sentará à mesa, vincou, referindo-se ao histórico autarca de Braga que foi investigado por negócios desenvolvidos enquanto autarca local.