O secretário-geral do PS afirmou esta terça-feira que já não repete a "graça" que dizia há alguns anos de que a justiça precisa de um engenheiro de sistemas, alegando que correria agora o risco de ser mal interpretado.

António Costa falava em tom de humor num almoço promovido pela Associação Industrial Portuguesa (AIP) e pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) em resposta a questões colocadas por empresários.

O secretário-geral do PS começou por considerar que uma das principais prioridades para as empresas portuguesas está relacionada com os custos de contexto e com o funcionamento do sistema de justiça.

"Em regra olha-se para a justiça quando se fala da justiça criminal, mas a justiça criminal não representa dez por cento do movimento dos tribunais - e nós temos uma lacuna enorme em matérias de justiça cível e justiça comercial", começou por referir o líder socialista, antes de aludir à necessidade de "um choque de gestão" no sistema.


Neste contexto, usando um tom descontraído de humor, disse que já não pode dizer uma coisa que antes dizia, porque correria o risco de ser "mal interpretado" na atual conjuntura do país.

"Costumava dizer que o sistema de justiça precisava de um engenheiro de sistemas a dirigir o Ministério de Justiça. Agora, não queria mesmo que alguém interpretasse que ando à procura de um engenheiro de sistemas para ministro da Justiça. Não ando e, portanto, não direi a graça", justificou o líder socialista.


Depois, agora a sério, o secretário-geral do PS defendeu a tese de que "o problema da justiça é sobretudo um problema de engenharia de sistemas e temos de resolver bem esse problema para termos um sistema de justiça mais eficaz".

"É ainda preciso um combate permanente, no qual é preciso alguém no centro do Governo com competência transversal na área da simplificação administrativa", acrescentou.