“Se o PS não tiver maioria absoluta, o PR mantém este Governo até abril”, quem o diz é António Costa, líder do PS e candidato às próximas legislativas.


Mas, o secretário-geral do PS mostra-se confiante nos resultados eleitorais. “É sempre saudável que os governos sejam maioritários. E o objetivo que o PS tem é que possa constituir uma maioria, já tendo dito – e repito – que não confundo maioria com auto-suficiência”, refere em entrevista ao Observador este sábado.António explica como chega a esta data: “Maioria absoluta creio que seja condição necessária, não creio que seja condição suficiente. No contexto atual, em que o Presidente da República decidiu marcar as eleições para uma data onde ele próprio já tem os poderes muitíssimo limitados, mas onde resolveu impor a condição original de que não aceitará governos minoritários, creio que neste momento os portugueses percebem que têm uma escolha muito clara pela frente: ou dão condições de governação maioritária ao PS ou terão de ver arrastar em agonia a atual coligação, em governo de gestão, pelo menos até fevereiro do próximo ano. Ou, se houver segunda volta nas eleições presidenciais, quem sabe até abril do próximo ano. Seria extremamente negativo para o país prolongar um quadro de incerteza manter um Governo em gestão até fevereiro, abril do próximo ano”.

 Marcelo Rebelo de Sousa considerou "uma má solução" um eventual prolongamento do exercício do atual Governo, em gestão, caso das eleições de outubro não saia um executivo maioritário, afirmando que teria "um preço muito grande" para o país.

"O facto de haver um prolongamento do Governo em gestão sem nomeação de um novo Governo tem um preço muito grande: não é possível elaborar o orçamento, tem de se governar com duodécimos, caem as medidas adotadas de acordo com a União Europeia e, portanto, há um risco enorme de só haver (…) Governo daí a cinco ou seis meses e de o ano de 2016 começar com um buraco orçamental monumental", afirmou o comentador político, à margem de um almoço promovido pelo PSD/Maia para homenagear os militantes com 40 anos de filiação.


Para Marcelo, é por isso "desejável que o Presidente da República nomeie um Governo o mais rapidamente possível a seguir às eleições".


Também Paula Espírito Santo, politóloga, na antena da TVI24, faz a análise das palavras de António Costa: é uma “pressão sobre o eleitorado, pressão sobre os indecisos. É um cenário que está em cima da mesa. Não há uma descolagem evidente por parte do PS. O jogo está em aberto”.


Costa frisa: “Como deve imaginar, a perspetiva com que nos colocamos é de ganhar, e de ganhar com maioria”, em declarações ao jornal.

António Costa também se afirma, na mesma entrevista, contra a continuação de Carlos Costa à frente do Banco de Portugal.

Por outro, defende que o objetivo da descida da TSU dos trabalhadores é “absolutamente intocável”.