A cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) por Lisboa às eleições legislativas de 04 de outubro, Mariana Mortágua, prometeu segunda-feira, em Paris, continuar a "dar visibilidade" aos casos dos emigrantes lesados do BES.

"O que temos tentado fazer é que o plano de que tudo caia no esquecimento para que o Novo Banco seja vendido rapidamente - esquecendo milhares de pessoas atrás dele - não se concretize. O que temos tentado fazer é dar visibilidade a estes casos e pressionar para que seja dada uma resposta", disse Mariana Mortágua aos emigrantes que se juntaram esta segunda-feira frente à delegação do Novo Banco, em Paris.


A porta-voz do BE, Catarina Martins, e Mariana Mortágua eram aguardadas por mais de duas dezenas de pessoas que empunhavam cartazes com slogans do Bloco de Esquerda "Gente de verdade" e "um país não se vende", mas foi a representante do BE na comissão de inquérito ao BES quem foi imediatamente abordada pelos emigrantes lesados do banco.

"Adoro esta moça! Se a deixassem fazer tudo o que ela tem na ideia, eu penso que ela ia dar-nos uma boa solução!", declarou Sérgio Morgado, que tem, com o filho, cerca de 200 mil euros bloqueados em Poupanças Plus.

Helena Batista, porta-voz do Movimento dos Emigrantes Lesados do BES, disse à Lusa que tem abordado vários partidos para que eles "façam o necessário para que o caso seja resolvido", enquanto Cristina Semblano, cabeça de lista do BE pelo círculo eleitoral da Europa, prometeu voltar a estar presente em nova manifestação dos emigrantes contra o banco, no dia 26 de setembro, em Paris.

Horas antes, as dirigentes bloquistas almoçaram com alguns emigrantes portugueses em vários países da Europa, alguns “da primeira vaga”, outros representativos “do meio milhão que saiu recentemente", disse Catarina Martins, que, de manhã, se encontrou com representantes associativos na Coordenação das Coletividades Portuguesas de França.

"É o retrato do nosso país. Vemos aqui quem tenha estado desempregado, quem tinha sido obrigado a desistir de Portugal, quem estivesse farto de trabalhar com falsos recibos verdes. Estas pessoas fazem-nos falta", declarou, destacando que "a única forma de estancar a emigração é emprego com estabilidade e salário".

"Ainda nos lembramos de ouvir Pedro Passos Coelho a chamar piegas a quem não conseguia sair da sua zona de conforto e a mandar sair do país quem está à procura de emprego, quando ele está a destruir emprego com as políticas de austeridade. Depois, fez este programa inenarrável chamado ‘VEM’ e diz que vai receber 20 emigrantes do meio milhão que foi obrigado a partir", criticou, sublinhando que um estudo da Universidade de Coimbra calculou que Portugal "perdeu 10 mil milhões de euros este ano com a mão-de-obra qualificada que saiu".


Presentes no almoço estiveram, entre outros, Catarina Salgueiro Maia, filha do capitão Salgueiro Maia, que emigrou para o Luxemburgo em 2011 porque "Portugal não tem as mínimas condições para dar estabilidade aos jovens que procuram começar uma vida", e Nuno Casimiro, de 38 anos, que depois de um período de desemprego enquanto licenciado de Matemática e de quatro anos de "falsos recibos verdes" foi para Marselha, onde está há sete anos.

Cristina Semblano, economista na Caixa Geral de Depósitos e professora na Universidade da Sorbonne, disse que "o Governo português trata os emigrantes portugueses abaixo de cão" e que "há muito a fazer pelos emigrantes, nomeadamente pelos que estão aqui completamente abandonados", criticando o fecho de consulados, a supressão de aulas de português e a implementação de uma propina para o ensino de português.

O BE esteve em campanha em Paris, através de Catarina Martins e Mariana Mortágua, depois de, no sábado, o líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, ter estado na capital francesa para apresentar o manifesto para a emigração e os candidatos do Bloco pelo círculo eleitoral da Europa.