O cabeça de lista pelo Porto do movimento Agir, Gil Garcia, defendeu esta quarta-feira que esta “é a única coligação de esquerda digna desse nome”, criticando BE e PCP por não terem chegado a um entendimento pré-eleitoral.

“Nestas eleições, o Agir é a única coligação de esquerda digna desse nome”, frisou Gil Garcia, explicando que “a outra coligação que existe é a da CDU [que] é a do PCP com um clone do PCP, que são ‘Os Verdes’. Não são partidos diferentes. Não são uma coligação genuína”.

Para o candidato, que percorreu a Rua de Santa Catarina ao som de bombos e trompetes, “era necessário uma coligação mais ampla da esquerda, a começar pelo BE e PCP, que se deviam ter juntado ao MAS [que com o PTP integra o Agir] ou ao Livre para retirar a direita do poder”.

Questionado sobre uma possível união entre os vários partidos de esquerda após as eleições de 04 de outubro, Gil Garcia respondeu: “vamos sempre a tempo”, desde que sejam renovados “os protagonistas políticos” e “se houver um novo grupo parlamentar na Assembleia da República”.

“Temos uma mensagem que ninguém diz: queremos uma coligação nova na Assembleia da República que tenha a coragem de pôr os dedos nas feridas de uma forma mais enfática do que foi feito até hoje”, destacou durante a arruada no centro do Porto.

Ainda sobre a esquerda, considerou que todos os partidos devem “pedalar na mesma bicicleta para acabar com as reformas milionárias, com o roubo nos salários e pensões [e] com as portagens [que] são um verdadeiro assalto à mão armada”.

Em alternativa às medidas de austeridade, o porta-voz do MAS disse acreditar que “a única maneira de sair” da crise e de equilibrar as contas públicas “é gerar emprego”, para o que “tem que se questionar a presença [de Portugal] na moeda única”.

“Enquanto nós estivermos na moeda única é o que acontece com o Tsipras na Grécia, ele tem que se dobrar à Alemanha e eu discordo disso”, salientou o candidato da coligação, para quem é necessário “fazer um referendo aos portugueses para perguntar se ainda querem estar na moeda única”.

Antecipando os resultados das legislativas, Gil Garcia afirmou que “o ideal seria [eleger] um grupo parlamentar para obrigar a esquerda a juntar-se a e enfrentar a direita ou um governo do PS que queira impor a austeridade”.

Lembrando, contudo esta, é a primeira vez que a coligação Agir se apresenta a eleições, disse estar “à espera de eleger um ou dois deputados”.

“É difícil ter mais. Mas atenção, há surpresas”, alertou.