O PCP condenou hoje o que classificou como «brutal ingerência» dos EUA, União Europeia e NATO na situação interna da Ucrânia, considerando que promovem forças de extrema-direita e xenófobas e agravam divisões visando o «domínio político» daquele país.

Em comunicado hoje divulgado, o Partido Comunista Português expressou «condenação» pelo «autêntico golpe de estado» que afirma estar a ser promovido pelos «setores mais reacionários da oligarquia ucraniana com o apoio do imperialismo».

Para o PCP, os acontecimentos recentes na Ucrânia «evidenciam a instrumentalização por parte das potências imperialistas na NATO» do «profundo descontentamento acumulado entre os trabalhadores e «amplas camadas da população» que disse resultar do «desastre social e económico da restauração do capitalismo» naquele país nas últimas duas décadas.

O PCP condenou a «brutal ingerência e desestabilização dos EUA, da UE e da NATO na situação interna da Ucrânia», com a promoção e apoio a «forças de extrema-direita, neonazis e xenófobas e fomentando o exacerbar de tensões, divisões e clivagens».

O objetivo, consideram os comunistas, é «assegurar o domínio político, económico e militar deste imenso país, de forma a avançar na sua escalada de tensão e estratégia de confronto com a Federação Russa», o que «representa uma acrescida ameaça à segurança e à paz na Europa e no mundo».

«O PCP alerta para o real significado e perigos que representam o avanço das forças de extrema-direita e de cariz fascista e neonazi na Ucrânia - no que constitui uma séria ameaça à democracia, aos direitos e liberdades e à própria integridade e soberania do país», lê-se, no comunicado.

O PCP condenou ainda os «ataques perpetrados contra os militantes, dirigentes e sedes» do Partido Comunista da Ucrânia, «assim como as tentativas para limitar ou mesmo ilegalizar a atividade» daquele partido.

A crise política na Ucrânia teve início a 21 de novembro, com manifestações de milhares de pessoas para protestar contra a decisão do Presidente de suspender os preparativos para a assinatura de um acordo de associação com a União Europeia e de reforçar os laços económicos e comerciais com a Rússia.

Esses protestos mobilizaram sobretudo a população da parte ocidental do país, de língua ucraniana, e geraram algum desagrado na parte leste do país, falante de russo.

No domingo, cerca de 10.000 pessoas manifestaram-se contra a revolta pró-ocidental na cidade portuária de Sebastopol, na região pró russa da Crimeia, e pediram uma intervenção de Moscovo.