O ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou, neste sábado, que vai lançar em outubro um livro de teoria política, que garante que não é "de mexericos", considerando que não o conseguiram afastar do coração dos militantes socialistas.

José Sócrates discursava durante um almoço de apoio que decorre hoje em Lisboa, no qual anunciou que no mês de outubro vai publicar um livro que resulta das suas reflexões dos últimos meses.

Queria sossegar-vos quanto a uma coisa: nem é um livro de mexericos nem é um livro de um paranoico. É um livro que pretende ser de teoria política. Pus de lado tudo o que escrevi sobre este processo. Não é o momento, mas lá chegará", disse, numa referência implícita do livro do ex-diretor do Expresso e do Sol, José António Saraiva.

O antigo primeiro-ministro do PS aproveitou o momento para relatar a primeira participação, sexta-feira, num evento institucional do PS desde que foi constituído arguido na Operação Marquês, a Universidade de Verão do Departamento Federativo das Mulheres Socialistas da Federação da Área Urbana de Lisboa: "As pessoas levantaram-se, aplaudiram e começaram a gritar PS, PS."

Muitos quiseram afastar-me. Detemos-te, pomos-te na prisão, não dás entrevistas. O primeiro objetivo era isolar-me da sociedade portuguesa. Porventura conseguiram esse objetivo com a direção do PS, mas quero dizer-vos que não conseguiram afastar-me do coração dos militantes", assegurou.

Sócrates avisa que não vai "admitir que façam o banimento da vida pública querendo fazer essa condenação sem julgamento" e que vai "lutar contra isso".

Eu já bebi o meu próprio sangue e estou com mais força do que nunca. Vou continuar a aceitar todos os convites que me fizeram. Fui a muito sítio neste último ano e vou continuar a ir. Tenho o maior gosto em falar em público", disse, em jeito de aviso.

Sócrates voltou a criticar o sistema judicial devido ao processo que o envolve.

"O que está em causa é o objetivo que eles têm. Sabem qual é? É cometer o ato mais abjeto que vocês possam imaginar: é querer condenar alguém sem direito a julgamento. Não é na praça pública, é sem direito a julgamento", condenou, deixando claro "a essas pessoas que não vão conseguir".