O antigo primeiro-ministro José Sócrates considera que o Partido Socialista saiu com legitimidade reforçada das eleições autárquicas, ‘responsabilizando’ o Governo pela “vitória singular”, e confessou-se surpreso com “o desmoronamento” dos sociais-democratas.

“O PS ganhou estas eleições e ganhou-as de forma contundente. Já tinha ganho as eleições de 2013, e ganhou-as agora de forma ainda mais convincente. O desafio era igualar o resultado de há quatro anos, que já tinha sido muito bom. Agora, em 2017, tem mais votos, mais câmaras e com base nestes critérios está encontrado o vencedor”, argumentou, em declarações no Porto Canal.

Para José Sócrates, a vitória nas autárquicas é um sinal de prémio ao Governo, liderado pelo socialista António Costa, que “encontra aqui uma legitimidade reforçada”.

“Estas eleições consagram mais legitimidade a esta solução governativa. Já tinha formal, constitucional, e isso é o que baste para ter legitimidade democrática. Bem sei que o PS tinha esse problema, de não ter sido o mais votado. O PS ganha estas eleições porque fez bem este caminho. O que os portugueses hoje fizeram foi reconhecer o mérito deste Governo. Quem ganhou estas eleições foi o Governo."

Aquele que foi o líder do Governo, entre 2005 e 2011, sublinhou que a primeira conclusão a retirar de noite eleitoral é a vitória “absolutamente singular e sólida do Governo”, que é tão mais especial porque “é muito raro um executivo, a meio do mandato, ter um triunfo tão retumbante”.

“A segunda é uma surpresa: o desmoronamento do PSD. Estas eleições são más demais para o PSD. Estes resultados eleitorais deixam muito pouca margem para o PSD não pôr em causa a sua liderança. Este é um problema de liderança política”, advogou.

Sócrates entende que Pedro Passos Coelho ficou “a meio caminho” no seu discurso, sendo este “o pior dos caminhos”.

“Este é um momento de decisão, não de reflexão. Ele devia decidir esta noite. O facto de ter dito que está em reflexão, é pior a emenda que o soneto."

O antigo secretário-geral do PS, que considerou a candidatura de Teresa Leal Coelho à Câmara de Lisboa inadequada e os resultados eleitorais dos sociais-democratas “humilhantes”, disse ainda que Passos Coelho tinha uma de duas opções: “Ou dizia, isto é mau demais, mas vou manter-me. Outra era abandonar. Agora, esta não é uma coisa, nem outra. Os próximos dias vão ser horríveis. Ele vai ser desafiado e não vai sair pelo próprio pé, vai sair empurrado”.

"O CDS merece um certo destaque nesta noite eleitoral. O CDS teve a inteligência de se distanciar do discurso do PSD. O mérito de Assunção Cristas foi arriscar", acrescentou.

No Porto Canal, Sócrates criticou o discurso de vingança de Rui Moreira, frisando que o PS nunca se deveria ter colocado nas mãos do presidente da Câmara do Porto para decidir a sua candidatura e que o discurso triunfante de Manuel Pizarro foi "excessivo".

Tenho respeito pela obra de Isaltino Morais em Oeiras e, hoje, o que as pessoas fizeram foi reconhecer esse mérito”, apontou, mostrando-se surpreso pela derrota de Valentim Loureiro em Gondomar.