O ex-primeiro ministro José Sócrates disse na noite de quinta-feira, na Figueira da Foz, que os políticos passam a vida a ter de escolher entre um mal menor e um mal maior.

«Os políticos têm de fazer cálculos, os pobres dos políticos passam a sua vida a escolher entre um mal menor e um mal maior», disse José Sócrates, numa sessão de apresentação do seu livro «A Confiança no Mundo - Sobre a Tortura em Democracia», que decorreu no casino das Figueira.

Sócrates constatou que, «infelizmente, grande parte das decisões políticas não é para escolher entre o bem e o mal, mas para escolher, muitas vezes, entre o mal menor e o mal maior».

O exemplo dos políticos foi utilizado pelo antigo governante para explicar a diferença, no que à tortura diz respeito, entre a doutrina utilitarista - na qual, disse filiar-se genericamente, já que se considerou «um homem de ação» na política - e a doutrina deontologista, da qual se tornou adepto.

«Há um limite para o cálculo e esse limite é a vida humana», frisou José Sócrates.

O antigo primeiro-ministro disse-se ainda «muito próximo» da doutrina da ética da responsabilidade: «o político tem a ética da responsabilidade, é preciso decidir pensando nas consequências dessa decisão para os outros, não apenas na nossa autossatisfação moral», afirmou.

A sessão, moderada por Miguel Sousa Tavares e à qual assistiram cerca de 400 pessoas, prolongou-se por cerca de três horas, culminando com uma sessão de autógrafos.