O socialista Pedro Silva Pereira disse hoje que o seu «sentimento é de profunda tristeza» face ao que está a acontecer com José Sócrates e afirmou que há que esperar, sem julgamentos precipitados, que a Justiça esclareça a verdade.

«O meu sentimento é de profunda tristeza. Este é um momento difícil, para o engenheiro Sócrates certamente, mas igualmente para todos os seus amigos que são muitos em Portugal e no estrangeiro», disse aos jornalistas Pedro Silva, que foi ministro da Presidência do Governo de Sócrates e considerado o seu braço direito.


Ainda sobre a detenção e prisão preventiva do ex-primeiro ministro, Silva Pereira afirmou que «este não é o momento de falar muito», mas de «esperar a Justiça funcione e, funcionando, possa fazer luz sobre a verdade».

O atual deputado no Parlamento Europeu afirmou ainda que «a Justiça tem regras e que não se faz na praça pública, não se faz com julgamentos precipitados, não conhecendo todos os factos ou sem ouvir todas as partes», pelo que preferiu não se alongar mais sobre o tema, não respondendo a perguntas dos jornalistas.

«Vamos aguardar que o funcionamento da justiça permita o esclarecimento da verdade, é o que farei pela minha parte», concluiu, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, em Estrasburgo.


PS «nada tem a ver com o processo»

O ex-ministro da Defesa socialista, Augusto Santos Silva, disse hoje respeitar a decisão do juiz de decretar prisão preventiva para o ex-primeiro-ministro José Sócrates, mas defendeu que o PS nada tem a ver com o processo.

«Respeito essa decisão. Pela primeira vez [é estranho, não é? mas é verdade], Sócrates vai poder explicar-se num processo judicial, de acordo com as suas regras próprias. Nesse processo, o PS não é parte. Ponto final», salientou Augusto Santos Silva numa mensagem deixada na sua conta pessoal no Facebook.


O antigo governante, que foi ministro da Defesa e dos Assuntos Parlamentares em governos de José Sócrates, defende que toda a gente deve acompanhar o processo que envolve pela primeira vez um ex-primeiro-ministro.

«O juiz competente decretou prisão preventiva para três dos quatro arguidos, entre eles José Sócrates. Pelos vistos, entendeu existirem indícios suficientemente fortes da prática de crimes de branqueamento de capitais, corrupção e fraude fiscal e o risco de fuga ou perturbação do inquérito», escreveu Augusto Santos Silva


O antigo ministro refere ainda que quer que cesse «a violação das regras básicas da Justiça, por responsabilidade dos titulares do processo (…) e com a cumplicidade de parte da imprensa».

O antigo ministro da Defesa insistiu em conhecer os factos apurados pelo Ministério Público e ouvir as explicações de José Sócrates sobre os mesmos.

«Ação da Justiça deve ser sempre vista com serenidade»

O deputado socialista e ex-ministro do primeiro Governo de José Sócrates, Alberto Costa, escusou-se a comentar diretamente a prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, mas considerou que «a ação da Justiça deve ser sempre vista com serenidade».

Alberto Costa, que foi ministro da Justiça durante o primeiro executivo liderado por Sócrates, entre 2005 e 2009, falava aos jornalistas no parlamento, depois de confrontado com a prisão preventiva aplicada na segunda-feira ao antigo líder do PS.

«O que acho no momento presente é que os tribunais devem fazer o seu trabalho e o país deve compreender que há um tempo para a Justiça e não queria pronunciar-me mais sobre essa matéria», declarou.


Sobre as eventuais consequências deste processo para o PS, Alberto Costa recusou fazer especulações.

«Mas a ação da Justiça deve ser sempre vista com serenidade, sobretudo no momento em que ela se exerce deve ser vista com serenidade», assinalou.