O ex-primeiro-ministro José Sócrates agradeceu a presença e o apoio de “queridos amigos” do PS na apresentação do seu novo livro, num hotel do Porto.

“Eu sei por que é que estão aqui e quero que todos saibam que isso é muito importante para mim”, disse Sócrates, que mencionou diretamente os nomes de Renato Sampaio, Isabel Santos, Fernando Gomes e António Campos.

No seu discurso, antes de falar sobre a obra “O mal que deploramos - O Drone, o Terror e os Assassinatos-Alvo”, da Sextante Editora, Sócrates agradeceu também a Pedro Bacelar Vasconcelos, que apresentou o seu livro:

“Sublinhar que está aqui hoje, não apenas para a apresentação de um livro, mas também para mostrar a amizade comigo, eu sei bem”, afirmou.

Três dias depois de ter saído a acusação da Operação Marquês, o ex-primeiro-ministro disse a Bacelar Vasconcelos que tinha que fazer um aviso:

“Olha, não tenho a certeza se não entraste agora numa lista muito seleta daqueles que são suspeitos de terem escrito o livro do Sócrates. Como se sabe, se há um livro do Sócrates há alguém que o escreveu por ele”.

As seus “mais queridos amigos”, disse que devem preparar-se “para responder a jornalistas” que perguntem pelo seu nível de vida e se esse permite comprar a sua nova obra, numa alusão a uma pergunta que lhe foi feita na sexta-feira, no âmbito de uma entrevista que deu à RTP na sexta-feira.

José Sócrates chegou ao hotel com 25 minutos de atraso, tendo sido recebido com aplausos e incentivos, tendo centenas de pessoas afirmado: “Sócrates, amigo, o povo está contigo”.

Acusação é "um lamaçal de vitupérios"

Sócrates classificou as acusações do Ministério Público como “um lamaçal de vitupérios”, mostrando-se convencido de que essa “coletânea de insultos” não vai perdurar.

“Como se pode classificar uma coletânea de insultos daquela? Talvez desta forma como já alguém dizer, como um lamaçal de vitupérios, mas ao MP não compete insultar as pessoas, compete, isso sim, apontar o dedo, mas fundamentar aquilo que tem para dizer, e infelizmente o MP não o faz”, afirmou aos jornalistas, após a sessão de apresentação do seu novo livro.

Para o ex-primeiro-ministro, “se o MP pensa que esses insultos perduram, está enganado, está equivocado”, porque “a mentira não pode durar pela simples razão de que houve muita gente que assistiu a tudo, que participou e que sabe que as coisas não se passaram assim”.

“Quando o MP decide juntar dois processos, trazer Ricardo Salgado, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava para este processo fá-lo (…) com a expectativa de salvar este processo, isto é, como bóia de salvação”, disse, acrescentando que, “todavia, isto não vai salvar este processo”.

Sócrates sublinhou que se “o MP pretende agora contar às pessoas uma fantasia, uma teoria geral completamente divorciada daquilo que se passou, engana-se”.

Questionado se este é um dos piores momentos da sua vida, Sócrates rejeitou a ideia, afirmando que “já houve piores”, frisou, adiantando que olha para a vida “com a alegria de quem traz rosas e de quem traz espinhos”.

“E tenho orgulho em fazer uma batalha por mim próprio e para defender o meu governo e as políticas que conduzimos, e lutar contra quem quer criminalizar as bandeiras políticas principais do governo a que eu presidi, nomeadamente TGV, a reparação e reconstrução das escolas, nomeadamente esses inquéritos que querem fazer às PPP, e inquéritos relativamente às rendas”, disse.

Segundo disse, “curiosamente são tudo matérias que a direita política criticou”, que “faziam parte da controvérsia politica”, mas que nunca lhe passou pela cabeça que “alguém tentasse agora instrumentalizar a justiça para criminalizar essas politicas”. “Não terão sucesso, não terão sucesso”, vincou.

O ex-governante socialista argumentou que, por exemplo, em 2010, o “Estado usou a sua ‘golden share’ para travar um negócio de venda da Vivo, no Brasil, que punha a PT fora do Brasil”, e fê-lo em “defesa do interesse nacional, fê-lo contra os interesses do grupo Espírito Santo, contra interesses, legítimos naturalmente, privados”.

Acrescentou que, entre 2010 e 2014, “altura em que acabaram a ‘golden share’ sem a substituir por nada”, foi o período “em que as disponibilidades financeiras da PT mais foram aplicadas no BES”, passando “de 50%, em 2010, para 98%”.

“E agora querem-me atribuir as responsabilidades por isso? Desculpem, estão enganados, isso é uma fantasia que não resiste, como se sabe muita gente acompanhou e sabe que não foi assim, é uma mentira que tem perna curta”, concluiu, abandonando o local.