José Sócrates falou esta tarde em exclusivo à TVI, acusando as autoridades judicias de nunca terem tido provas para o deter. Recorde-se que, este sábado, faz um ano que o ex-primeiro-ministro foi detido.

“Na altura em que fui detido, foi explicado ao país pelas autoridades que me detiveram e que me prenderam abusivamente, usando contra mim toda a selvajaria que puderam, que tinham todas as provas, concludentes e definitivas. Um ano depois, não as apresentaram.”

“Não as apresentam porque não as têm nem nunca as tiveram. É impossível provar o que nunca aconteceu. Têm muitas opiniões, mas não têm factos nem provas.”


O ex-primeiro-ministro acusou o Ministério Público de não apresentar provas nem acusação dentro do prazo fixado pelo Tribunal da Relação, 19 de outubro.
 

“O que é lamentável neste processo é que não foi como os outros. Teve um grande impacto político e social e, por isso, o Ministério Público devia ter todos os cuidados na observância dos prazos previstos.”

“Passam por cima desses prazos como se nada fosse, como se pudessem manter sob suspeita alguém indiferentemente dos prazos e do tempo.”


Por isso, Sócrates considera que o Ministério Público “deve agora uma explicação ao país”.
 

“Estive preso 11 meses, acusado de poder perturbar o inquérito. Eu afinal de contas estava apenas a defender-me, porque é o direito de todos os cidadãos. (…) Isso foi confundido com perturbação do inquérito.”


O ex-primeiro-ministro lembrou que o inspetor tributário que dirige a investigação escreveu no processo que esta estava a ser “perturbada com fugas ao segredo de justiça” e que estas “só podiam ser atribuídas a ele próprio, ao procurador ou ao juiz”.
 

“É extraordinário que não tivesse havido, que eu saiba, nenhum inquérito a essa declaração.”


Sobre o futuro, Sócrates promete “reduzir a pó” a acusação que vier contra si.
 

“Estou cada vez com mais energia, vontade e determinação para lutar. Estou a preparar-me para reduzir a pó qualquer acusação que me possam fazer.”