O ex-primeiro-ministro José Sócrates disse nesta sexta-feira à noite usufruir de uma «estranha e doce liberdade» de responder apenas perante si próprio, da qual não pretende desfazer-se tão cedo, depois de três décadas de responsabilidades políticas.

Em declarações aos jornalistas depois de proferir a conferência inaugural do oitavo festival Literatura em Viagem, em Matosinhos, na qual abordou «três tipos de viagens e três tipos de liberdades» que as acompanham, José Sócrates disse que a libertação que hoje sente «é a de quem teve responsabilidades e agora não tem».

«E é uma liberdade muito especial essa, que é a liberdade de apenas respondermos perante nós próprios. Durante 30 anos estive muito condicionado pelas responsabilidades que tinha. Agora não. Tenho essa estranha e doce liberdade de responder apenas perante mim próprio e não tenciono desfazer-me dela tão cedo. (...) Sinto-me muito feliz assim», disse o antigo primeiro-ministro, citado pela Lusa.

Durante a sua intervenção ao lado do presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, e perante uma sala quase cheia que incluía o atual vereador da Câmara do Porto Manuel Pizarro, Sócrates estabeleceu o paralelo entre o ato da viagem e a política, sublinhando que «ação política é lidar com o desconhecido» antes de explicar três perspetivas de liberdade: a suspensiva, a de rutura e a de renúncia.

«A política serviu sempre para ambicionar ir mais além, ambicionar transpor aquilo que conhecemos. Pobre do político que não tem imaginação», afirmou o antigo governante, que lançou, no ano passado, «A Confiança no Mundo ¿ Sobre a Tortura em Democracia».