José Sócrates escreveu uma carta a anunciar que pediu a desfiliação do Partido Socialista para acabar com o "embaraço mútuo", após críticas da direção que, na sua opinião, ultrapassam os limites do aceitável.

O presidente dos socialistas, Carlos César, fez uma declaração sobre o tema no Parlamento, sem direito a perguntas no final, e agradeceu a José Sócrates o trabalho desenvolvido, salientando que a decisão que agora toma é "livre e está no direito" do antigo primeiro-ministro.

O engenheiro José Sócrates deixou marca muito positiva como Primeiro-Ministro numa altura em que o país demonstrou resultados assinaláveis"

Apesar disso, Carlos César referiu que o PS mostrará sempre "preocupação" por todas as "cirscunstâncias que envolvam suspeitas e acusações de atos graves", embora sublinhe que o caso mediático de que se fala é uma questão de justiça: "Da parte do PS não há nenhuma mudança na avaliação de uma questão fundamental que é a separação entre aquilo que é da justiça e aquilo que é da política".

Na declaração, Carlos César aproveitou ainda para dizer que este caso de Manuel Pinho e José Sócrates não é único:

Estes casos que agora suscitam atenção mediática são atos que se têm disseminado ao longo dos anos por personalidades e situações que não envolvem o PS. Temos de ter consciência e não apagar da memória que em inúmeras situações, vários governos e vários partidos, têm existido pessoas cujo comportamento é censurável, algumas delas já cumpriram penas de prisão, outros são arguidos, outros têm graves problemas que ainda não foram esclarecidos e são pessoas de todos os partidos, e em particular daqueles que têm desempenhado funções de governo e têm exercido na Administração central responsabilidades."

O socialista lembrou ainda a comissão para a transparência que o PS sugeriu e que "trabalha um conjunto de projetos que visam disciplinar e monitorizar a ação dos políticos, dos lobbyings e toda a envolvência de aspetos que podem tornar a atividade política menos transparente, para que sejam corrigidos e melhorados."

O líder do PS terminou dizendo que todos os partidos têm de trabalhar para que estes tipo de suspeitas não existam para a classe política ter credibilidade junto dos portugueses:

"O que queremos dizer após estes casos é que todos os partidos devem ter em conta estes aspetos que colocam muitas dúvidas junto de muitos portugueses."

José Sócrates, 60 anos, é o principal arguido na Operação Marquês, em que está acusado de vários crimes económico-financeiros, incluindo corrupção e branqueamento de capitais.

No âmbito da investigação, esteve preso preventivamente durante 288 dias, entre novembro de 2014 e setembro de 2015.

Sócrates aderiu ao PS em 1981, e foi secretário-geral do partido entre 25 de setembro de 2004 e 06 de junho de 2011.

Em 2005, obteve a primeira maioria absoluta do PS em eleições legislativas e foi primeiro-ministro até 2011, depois de o seu Governo ter pedido ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.