A Comissão Europeia escusou-se hoje a comentar a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, alegando que não se envolve em «procedimentos nacionais» que não estejam diretamente relacionados com dinheiro ou atividades da União Europeia.

Durante a conferência de imprensa diária do executivo comunitário, a porta-voz Mina Andreeva indicou que a Comissão não tem comentários a fazer à detenção do antigo chefe de Governo português, por se tratar de uma questão estritamente nacional, e, questionada sobre se Bruxelas está pelo menos a acompanhar o processo, asseverou que não.

«Não digo que não estejamos a par, mas não estamos a seguir o caso ativamente», respondeu.


O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa, no âmbito de um processo de suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

No segundo semestre de 2007, por ocasião da presidência semestral portuguesa da União Europeia, José Sócrates, enquanto chefe de Governo, presidiu aos trabalhos do Conselho da UE, tendo sido o «anfitrião» da cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa, que definiu o novo quadro institucional da União Europeia.