José Sócrates considerou “gravíssima” a declaração do diretor do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Armando Guerra, que, na quarta-feira, deu a entender que o despacho de acusação do processo “Operação Marquês” pode não ser apresentado a 15 de setembro. O antigo primeiro-ministro convocou esta quinta-feira uma conferência de imprensa para reagir a essas palavras, voltando a tecer duras críticas à Justiça. Insistiu que a sua prisão teve “motivações políticas”, com o objetivo de o afastarem de uma candidatura à Presidência da República, e frisou que a sua carreira política não vai acabar por causa deste processo.  

“Um processo jurídico penal que prende e quase dois anos depois não acusa, não arquiva nem se compromete com prazos, deixando o cidadão à mercê de todas as suspeitas e de todos os abusos, não é um processo justo, é um processo infame.”

Já depois de ter lido a declaração que escreveu para esta comunicação à imprensa, e em resposta às perguntas dos jornalistas, Sócrates apontou "arrogância" ao diretor do DCIAP, destacando que "os prazos são uma garantia fundamental". 

“Ele [diretor do DCIAP] não tem o direito de, com aquela arrogância, vir dizer à televisão logo se vê, logo se verá. […] Os prazos são uma garantia fundamental.”

O prazo estabelecido para o DCIAP formalizar uma acusação contra José Sócrates foi estipulado como 15 de setembro. No entanto, o diretor do DCIAP, Armando Guerra, deu a entender, esta quarta-feira, numa entrevista à SIC, que este prazo pode não ser cumprido. "Vamos ver. Vamos aguardar até 15 de setembro. Ainda falta algum tempo", afirmou.

Esta quinta-feira, José Sócrates voltou a deixar palavras duras à ação da Justiça, afirmando que esta não é uma segunda fase do processo, mas uma segunda "campanha de difamação"  Disse, mais uma vez, que o processo tem "motivações políticas" e apontou baterias à direita política, acusando-a de o ter "combatido pessoalmente ao longo destes anos".   

“Tudo isto não podia ter acontecido sem motivações políticas. A primeira foi impedir-me de ser candidato a Presidente da República e também para me impedirem de ter uma voz pública, eu tinha um programa de comentário politico na televisão. Por outro lado, e por consequência, também prejudicar o Partido Socialista. [...] É a terceira vez que acontece comigo e a direita política fez todo o possível, ao longo destes anos, para me combater pessoalmente, comportando-se como a direita politica se comporta por todo o mundo que é visar pessoalmente os seus adversários."

O antigo primeiro-ministro recusou a ideia de que a sua carreira política tenha terminado com este processo.

“A minha vida política terminará quando eu quiser. Se alguém pensa que vou pôr um fim à minha carreira politica com este processo ,que é basicamente o que me parece evidente, enganam-se.”

José Sócrates é suspeito dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito, no âmbito do processo "Operação Marquês".