O secretário-geral do PCP, Jerónimo Sousa, disse hoje não querer comentar a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, afirmando que deve haver o apuramento de toda a verdade sem julgamentos antecipados.

«Em função da pessoa que é não alteramos a nossa posição de princípio, que é a de que deve haver o apuramento de toda a verdade, o funcionamento da investigação e da Justiça e não apressar julgamentos ou condenações. Consideramos que ninguém está cima da Lei, e é nesse sentido a exigência do apuramento», declarou.


O líder do PCP falava aos jornalistas à margem de um almoço comício do PCP em Albergaria-a-Velha, em que considerou que o país vive uma situação de desastre nacional a que a política de direita o conduziu, porque o poder político está refém do poder económico, sucedendo-se os casos de corrupção ao mais alto nível.

Jerónimo Sousa salientou que os partidos não são todos iguais e que o PCP é a alternativa a essa política.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa proveniente de Paris, no âmbito de um processo de suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Líder do PCP diz que o poder político está «capturado» pelo económico

O líder do PCP, Jerónimo Sousa, disse ainda que o poder económico capturou o poder político, através das políticas de direita que são, em si mesmas «fertilizante» para a corrupção.

Jerónimo Sousa referiu-se a vários casos dos últimos tempos, para defender a tese de que eles resultam da submissão do poder político ao poder económico que as políticas seguidas por sucessivos governos traduzem.

«O país assiste a mais um escândalo com os vistos gold, imagem de marca do Governo que são fonte de corrupção e porta aberta ao branqueamento de capitais e revela a profunda degradação política e institucional, com o Estado invadido por redes de corrupção ao mais alto nível», afirmou.


O líder do PCP não poupou críticas a Cavaco Silva, referindo que se tem assistido à degradação da democracia «com a cumplicidade solidária do Presidente da República», não aceitando que se faça crer que é apenas um caso de Justiça.

«Não é apenas isso e não foi apenas um ministro que ficou com a autoridade fragilizada. É o problema de uma política de governo que é um desastre nacional e põe em causa a credibilidade das instituições. É o governo todo que deixou de ter autoridade e condições para continuar a governar», disse, comentando que esse não pode ser «mais um escândalo em que a responsabilidade morre solteira».


Jerónimo de Sousa comentou que «o problema de fundo é o poder económico ter capturado o poder político, através da política de direita, que é em si mesma fertilizante da corrupção», mas salientou que os partidos não são todos iguais.

«Somos um partido diferente, onde a verdade e a seriedade nos guia. Fomos, somos e seremos contra privilégios que resultem do exercício de cargos públicos. Não estamos comprometidos, nem calados, porque temos um princípio e uma prática de não sermos beneficiados porque estamos sempre ao serviço dos trabalhadores e do país», concluiu.